Projeto-piloto promove monitoramento simultâneo de agressores e vítimas, com uso de tornozeleiras e celulares
O Governo do Paraná lançou, nesta terça-feira (27), em Curitiba, um projeto inédito no Brasil voltado à proteção de mulheres vítimas de violência doméstica. Trata-se do sistema de Monitoração Eletrônica Simultânea (MES), que irá acompanhar em tempo real a localização tanto da mulher com medida protetiva quanto do agressor, garantindo mais agilidade às ações de segurança pública.
Com investimento de R$ 4,8 milhões e parceria com a empresa Spacecomm Monitoramento S/A, a iniciativa foi desenvolvida no âmbito do programa Mulher Segura. Inicialmente, o piloto será implantado na capital e, posteriormente, em Foz do Iguaçu. A meta é expandir a tecnologia para todo o Estado no período de um ano.
As vítimas receberão um celular especial, a Unidade Portátil de Rastreamento (UPR), e os agressores utilizarão tornozeleiras eletrônicas. O sistema alerta automaticamente as forças policiais em caso de descumprimento da medida protetiva, agilizando a resposta das autoridades e aumentando a segurança das mulheres envolvidas.
O sistema é inovador por oferecer interação em tempo real com as forças de segurança, visualização do posicionamento do agressor em mapas, alertas por SMS e WhatsApp, e ainda a possibilidade de enviar imagens e áudios diretamente para o banco de dados da central de monitoramento.
A adesão ao projeto é voluntária, condicionada à decisão judicial e à concordância da vítima. O sistema também prevê a instalação de centros de monitoramento, integração com polícias Civil, Militar e Penal, além de apoio do Tribunal de Justiça, Ministério Público e da Secretaria da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa (Semipi).
De acordo com o secretário estadual da Segurança Pública, Hudson Teixeira, “não estamos apenas implantando um novo sistema de monitoramento. Estamos dizendo para cada mulher paranaense que ela não está sozinha”. Ele afirma que a tecnologia permitirá intervenções mais rápidas e precisas.
Dados do Atlas da Violência 2025 indicam que os homicídios de mulheres caíram 18,7% no Paraná nos últimos 10 anos — desempenho superior à média nacional. Com a expansão do Mulher Segura para os 399 municípios paranaenses, o governo pretende reduzir ainda mais os casos de feminicídio.
A secretária da Semipi, Leandre Dal Ponte, destacou que o sistema é resultado de esforços conjuntos entre governo e sociedade: “Não existem soluções fáceis para problemas complexos, mas essa medida é um passo importante para levarmos mais segurança às mulheres”.
A iniciativa inclui ainda a criação da primeira Câmara Criminal especializada em violência doméstica no Tribunal de Justiça do Paraná, marco pioneiro no país, que busca acelerar julgamentos e reforçar a resposta institucional a esses crimes.
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Fonte: Agência Estadual de Notícias / Governo do Paraná