Saldo econômico de 2024: Brasil cresceu, mas quem paga a conta?

Crescimento econômico trouxe alívio para o mercado, mas pressões sobre inflação e dívida pública acendem alerta para 2025

De acordo com dados do IBGE, o Brasil encerrou 2024 com crescimento de 4% no terceiro trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse desempenho colocou o país entre as quatro economias que mais cresceram no G20, grupo das maiores economias globais. Embora esse avanço seja um indicativo positivo, os desafios econômicos para o futuro são significativos, especialmente quando analisamos os impactos no bolso das famílias e nas contas públicas.

O crescimento econômico foi impulsionado por políticas que aumentaram os gastos públicos, como o reajuste do salário mínimo e a ampliação de benefícios sociais. Isso movimentou o comércio e gerou mais empregos. No entanto, essas medidas pressionaram as finanças do governo, que terá de lidar com uma dívida crescente e os custos de financiamento a longo prazo.

Inflação e custo de vida

Apesar do avanço na geração de empregos, a inflação continua como um obstáculo para o poder de compra das famílias. A alta nos preços de produtos básicos, como alimentos e combustíveis, deve fechar o ano acima da meta de 4,5%, afetando especialmente os mais vulneráveis.

A valorização do dólar, impulsionada pelo aumento das importações, também pesou sobre os preços de produtos importados e impactou o custo de vida, desde eletrônicos até itens básicos do dia a dia. “Embora o crescimento seja positivo, ele tem custos, e esses custos são sentidos diretamente no bolso da população”, avalia João Victorino, professor de MBA do Ibmec e especialista em educação financeira.

Juros altos e acesso ao crédito

A política de juros elevados para conter a inflação trouxe desafios tanto para as famílias quanto para as empresas. Quem precisa de financiamento para adquirir imóveis ou veículos, por exemplo, enfrenta dificuldades com as altas taxas, enquanto empresas têm menos espaço para investir em crescimento e inovação.

Apesar de o mercado de trabalho ter apresentado melhora, com mais contratações ao longo do ano, muitos trabalhadores ainda enfrentam salários que não acompanham o ritmo da inflação, ampliando as desigualdades sociais.

Pressões sobre o governo e o orçamento

As propostas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para cortes de despesas enfrentaram resistência no Congresso, enquanto as despesas públicas continuaram a subir. Essa situação coloca em xeque a sustentabilidade das contas públicas. “Adiar ajustes fiscais necessários só aumenta os custos para todos no futuro. É preciso coragem para tomar decisões econômicas equilibradas”, alerta Victorino.

O cenário para 2025 exigirá mais disciplina fiscal e medidas para equilibrar a valorização do real, a inflação e os custos da dívida pública. Sem ajustes, o impacto será ainda mais severo para as famílias de baixa renda, que já enfrentam dificuldades com o aumento do custo de vida.

Lições de 2024 e preparação para o futuro

O saldo econômico de 2024 reflete um misto de avanços e preocupações. Embora o crescimento de 4% seja um dado animador, ele vem acompanhado de pressões inflacionárias e desafios fiscais que exigem soluções urgentes.

“Se há uma lição que 2024 nos deixa, é a importância de planejamento financeiro, tanto para os governos quanto para as famílias. O crescimento só será sustentável se vier acompanhado de medidas que controlem os gastos e promovam mais equilíbrio econômico”, conclui Victorino.

João Victorino é administrador de empresas, professor de MBA do Ibmec e educador financeiro. Idealizador do canal ‘A Hora do Dinheiro’, compartilha conteúdos gratuitos para ajudar as pessoas a melhorarem suas finanças e prosperarem em seus projetos.

Fonte: Seven PR.