Brasil bate recorde de transplantes em 2025, com 31 mil procedimentos

Número representa alta de 21% em relação a 2022; SUS financia cerca de 86% dos transplantes realizados no país

O Brasil alcançou um recorde histórico em transplantes em 2025, com mais de 31 mil procedimentos realizados em todo o país. O número representa crescimento de 21% em comparação com 2022, quando foram registrados 25,6 mil transplantes, segundo informações da Agência Brasil, publicadas em 7 de maio de 2026.

O avanço é atribuído à melhoria da logística, à organização do Sistema Nacional de Transplantes e ao fortalecimento de parcerias entre instituições públicas, companhias aéreas e a Força Aérea Brasileira. A ampliação do acesso dos pacientes também contribuiu para que mais órgãos chegassem a tempo aos receptores.

Distribuição interestadual ajuda a salvar mais vidas

A distribuição interestadual de órgãos, coordenada pela Central Nacional de Transplantes, teve papel decisivo no resultado. Em 2025, essa estratégia permitiu a realização de 867 transplantes renais, 375 hepáticos, 100 cardíacos, 25 pulmonares e quatro de pâncreas.

Esse tipo de organização é essencial porque alguns órgãos têm pouco tempo de preservação fora do corpo. Quanto mais rápida e eficiente for a logística, maiores são as chances de o transplante ser bem-sucedido.

Em 2025, foram realizados 4.808 voos para transporte de órgãos e equipes de captação e transplante. O número representa alta de 22% em relação a 2022, resultado da atuação conjunta do Ministério da Saúde, companhias aéreas e FAB.

Recusa familiar ainda é desafio

Apesar do avanço nos transplantes, a recusa familiar continua sendo um dos principais obstáculos para ampliar o número de doações. Atualmente, cerca de 45% das famílias não autorizam a doação de órgãos.

A decisão geralmente ocorre em um momento de dor e forte impacto emocional. Por isso, especialistas reforçam a importância de conversar previamente com familiares sobre o desejo de ser doador. Quando essa vontade é conhecida, a decisão tende a ser mais segura e pode ajudar a salvar outras vidas.

Ministério investe em capacitação

O Ministério da Saúde também tem ampliado a qualificação de profissionais que atuam no Sistema Nacional de Transplantes. Uma das iniciativas é o Programa Nacional de Qualidade na Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes, conhecido como Prodot.

O programa prepara equipes de saúde para identificar potenciais doadores, conduzir entrevistas com acolhimento às famílias e qualificar todas as etapas do processo de doação.

Mais de mil profissionais já foram formados em estados como Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Tocantins, Distrito Federal, Mato Grosso, Goiás, Alagoas, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Córnea lidera ranking de transplantes

O transplante de córnea foi o mais realizado em 2025, com 17.790 procedimentos. Em seguida, aparecem os transplantes de rim, com 6.697; medula óssea, com 3.993; fígado, com 2.573; e coração, com 427.

Em todos os casos, o Sistema Único de Saúde oferece assistência gratuita aos pacientes. O atendimento inclui exames preparatórios, cirurgia, acompanhamento médico e medicamentos necessários no período pós-transplante.

O SUS financia cerca de 86% dos transplantes realizados no Brasil. Em 2025, os recursos federais destinados ao Sistema Nacional de Transplantes chegaram a R$ 1,5 bilhão, contra R$ 1,1 bilhão em 2022, crescimento de 37%.

Como entrar na lista de espera

O acesso ao transplante de órgãos, tecidos ou medula óssea ocorre por meio do Sistema Nacional de Transplantes. Para entrar na lista de espera, o paciente deve ser encaminhado a uma unidade de saúde habilitada.

Após avaliação de equipe médica especializada e realização de exames, o paciente é inscrito no sistema caso haja indicação para o transplante. A lista é dinâmica e considera critérios como condição clínica, compatibilidade e disponibilidade de doadores.

Nos últimos anos, o sistema passou por modernização. Entre as ferramentas incorporadas está a Prova Cruzada Virtual, que permite avaliar previamente a compatibilidade entre doador e receptor, reduzindo riscos de rejeição e dando mais agilidade ao processo.

Fonte: Agência Brasil