Paraná regulamenta Fundo Estratégico para enfrentar Reforma Tributária

Centro Cívico de Curitiba onde estão os edifícios do Tribunais de Justiça, Tribunal de Contas, Palácio Iguaçu, Palácio das Araucarias, Assembléia Legislativa, Museu Oscar Niemeyer e a Praça Nossa Senhora de Salette.

Decreto assinado pelo governador Ratinho Junior coloca o FEPR em execução e define regras para investimentos, equilíbrio fiscal e resposta a desastres no Estado.

O Paraná deu mais um passo para reforçar sua proteção fiscal e ampliar a capacidade de investimento nos próximos anos. O governador Carlos Massa Ratinho Junior assinou na quarta-feira, 1º de abril de 2026, o Decreto nº 13.101/2026, que regulamenta o Fundo Estratégico do Paraná (FEPR), mecanismo criado para fortalecer a autonomia financeira do Estado diante dos impactos da Reforma Tributária.

Com a regulamentação, o fundo passa oficialmente a operar, captando recursos e distribuindo os valores em reservas específicas. A proposta é usar essa estrutura para garantir estabilidade fiscal, ampliar investimentos de longo prazo e preparar o Estado para situações de emergência, como desastres naturais.

O FEPR será vinculado à Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa) e terá como base três frentes principais: desenvolvimento socioeconômico, sustentabilidade fiscal e enfrentamento de desastres. A divisão dos recursos já foi definida no decreto.

Metade das receitas do fundo, equivalente a 50%, será destinada à Reserva de Investimento Estratégico (RIE). Esse montante deverá financiar projetos estruturantes voltados ao crescimento do Paraná, incluindo obras de infraestrutura, logística, inovação tecnológica, transição energética e ações para diversificar a produção estadual.

Na prática, essa reserva também deve servir como alternativa para manter a competitividade do Paraná na atração de empresas. Segundo o secretário estadual da Fazenda, Norberto Ortigara, a medida ganha peso com as mudanças previstas pela Reforma Tributária.

“A partir de 2029, com a Reforma Tributária, os estados não poderão mais oferecer benefícios fiscais para atrair investimentos. Assim, essa reserva estratégica servirá para compensar essa perda, garantindo a continuidade de políticas de incentivo e a nossa competitividade”, afirmou o secretário.

Outros 30% dos recursos irão para a Reserva para Sustentabilidade Fiscal (RSF). A função dessa parcela será atuar como uma espécie de colchão financeiro, ajudando o Estado a preservar o equilíbrio das contas públicas no médio e longo prazo.

De acordo com Ortigara, um dos principais objetivos é manter o Índice de Liquidez Relativa do Paraná em pelo menos 5%, além de preservar a nota Capag A+ junto ao Tesouro Nacional, indicador importante para a saúde fiscal e capacidade de investimento do Estado.

Já a Reserva para Enfrentamento de Desastres (RED) ficará com os 20% restantes das receitas, até o limite de R$ 350 milhões. O foco é formar uma reserva para resposta rápida em casos de calamidade, especialmente em ações emergenciais e de reconstrução.

Para o governo, a regulamentação consolida uma estratégia de longo prazo voltada ao desenvolvimento econômico e à segurança financeira do Paraná. “A regulamentação representa um passo importante para viabilizar a operação do fundo e permitir que ele comece a rodar e a operar a todo vapor. Agora, temos de fato um fundo soberano em execução no Paraná que consolida toda a boa gestão que construímos até aqui”, disse Ortigara. “É o nosso legado para o futuro do Estado”.

Como o Fundo Estratégico do Paraná será dividido

O decreto estabelece a seguinte divisão dos recursos do FEPR:

Reserva de Investimento Estratégico

Receberá 50% das receitas do fundo para financiar obras e projetos estruturantes.

Reserva para Sustentabilidade Fiscal

Ficará com 30% dos recursos para reforçar o equilíbrio das contas públicas.

Reserva para Enfrentamento de Desastres

Terá 20% das receitas, até o teto de R$ 350 milhões, para ações em situações de calamidade.

A criação do FEPR é vista pelo governo estadual como uma resposta direta ao novo cenário tributário do país, ao mesmo tempo em que busca ampliar a segurança econômica e social do Paraná.

Fonte: Agência Estadual de Notícias (AEN)