Artemis II decola e leva humanos de volta ao entorno da Lua após 54 anos

Missão da NASA partiu nesta quarta-feira (1º) com quatro astronautas e marca o retorno das viagens tripuladas ao redor da Lua pela primeira vez desde 1972

A NASA lançou com sucesso, na noite desta quarta-feira (1º), a missão Artemis II, dando início a uma viagem de 10 dias ao redor da Lua. O foguete decolou às 18h35 no horário da Costa Leste dos Estados Unidos e leva quatro astronautas em uma missão histórica, a primeira tripulada com trajeto lunar desde o fim do programa Apollo.

A espaçonave Orion, batizada de Integrity, transporta Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen. O objetivo não é pousar na Lua, mas testar sistemas, comunicações, segurança e operação da cápsula em espaço profundo, preparando o caminho para futuras missões com pouso lunar.

O que torna a Artemis II histórica

A missão tem peso simbólico e técnico. Victor Glover se torna o primeiro homem negro a viajar ao espaço profundo, Christina Koch será a primeira mulher a fazer esse trajeto, e Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense, é o primeiro não americano a participar de uma missão lunar.

Além do marco humano, a Artemis II recoloca a NASA em uma etapa que não era vista desde 1972, quando aconteceu a última missão tripulada do programa Apollo. Agora, a agência quer usar a Lua como base para uma presença mais duradoura no espaço e como preparação para voos mais distantes, incluindo Marte.

Como será a viagem ao redor da Lua

A trajetória da Artemis II foi desenhada para ser diferente das missões lunares do passado. Antes de seguir rumo à Lua, a cápsula fará testes em órbita da Terra, incluindo verificações de suporte à vida, comunicação e manobras da nave.

Depois, a Orion seguirá em direção ao entorno lunar, num percurso total estimado em mais de 695 mil milhas. A previsão é que a missão termine com pouso no oceano Pacífico em 10 de abril.

Segundo as informações divulgadas durante a cobertura da missão, a tripulação também deve atingir uma distância recorde da Terra, superando marcas históricas de voos anteriores.

Pequenos problemas não impediram o lançamento

Antes da decolagem, engenheiros precisaram resolver questões técnicas envolvendo o sistema de segurança do foguete e uma leitura de bateria no sistema de escape da cápsula. As falhas foram analisadas e solucionadas a tempo, sem comprometer a missão.

Após o lançamento, a NASA também informou um problema temporário de comunicação com a espaçonave, mas o contato com a equipe foi restabelecido. A agência segue monitorando os dados para entender a causa.

Por que a missão não vai pousar na Lua

Mesmo com toda a expectativa, a Artemis II não foi planejada para pouso lunar. A proposta desta etapa é validar a segurança da nave e da missão com humanos a bordo antes de uma operação mais complexa.

Esse modelo é parecido com o que a NASA fez no passado: primeiro testa, depois avança. O pouso lunar depende ainda da maturidade de outros sistemas, como módulos de aterrissagem e novos trajes espaciais, que serão usados em missões futuras.

Nova corrida espacial ganha força

A missão também acontece em um momento de forte disputa estratégica. Os Estados Unidos tentam acelerar seu programa lunar enquanto a China mantém a meta de levar astronautas à Lua até o fim de 2030.

A diferença é que, desta vez, a proposta da NASA não é apenas “chegar primeiro”, mas estabelecer presença contínua na superfície lunar, com foco em ciência, exploração e uso de recursos que possam sustentar novas missões.

O que vem depois da Artemis II

Se a missão for concluída como planejado, a Artemis II servirá como base para os próximos passos do programa Artemis. A expectativa é que as próximas fases avancem para operações mais complexas, incluindo acoplamentos em órbita e futuras tentativas de pouso.

Para quem acompanha tecnologia, inovação e ciência, a missão representa mais do que um voo espacial. Ela mostra como grandes projetos continuam exigindo testes, cooperação internacional e visão de longo prazo.

Fonte: The New York Times, cobertura ao vivo de 1º de abril de 2026; NASA.