Mulheres no futebol enfrentam preconceito e cobram mais apoio

No Mês da Mulher, Formiga defende ambiente seguro, investimento na base e políticas públicas para ampliar a presença feminina no esporte

A presença das mulheres no futebol brasileiro ainda esbarra em preconceito, falta de estrutura e resistência cultural. No Mês da Mulher, atletas e profissionais do esporte reforçam que avançar no setor depende de coragem, mas também de políticas públicas e de um ambiente mais seguro para quem deseja permanecer nesse espaço.

Hoje diretora de Políticas de Futebol e de Promoção do Futebol Feminino no Ministério do Esporte, a ex-jogadora Formiga afirma que ampliar a participação feminina em campo passa, прежде de tudo, pela proteção e valorização das mulheres em diferentes funções dentro do esporte.

Ambiente seguro ainda é desafio

Formiga, única atleta a disputar sete Copas do Mundo, defende que o futebol feminino precisa oferecer segurança não apenas às jogadoras profissionais, mas também às meninas que sonham em iniciar carreira, além de treinadoras, árbitras e gestoras.

Segundo ela, o país tem talentos de sobra, mas a falta de estrutura limita o crescimento da modalidade. A ex-atleta avalia que o fortalecimento da base é decisivo para ampliar o número de jogadoras e consolidar o futebol feminino em todas as regiões do Brasil.

A dirigente também destaca a necessidade de maior equilíbrio nacional. Para Formiga, São Paulo concentra boa parte da força do futebol feminino, mas é preciso que outros estados consolidem equipes e projetos de formação para reduzir a desigualdade no cenário esportivo.

Meninas seguem firmes apesar do preconceito

A meio-campista Isadora Jardim, de 14 anos, conhece de perto essas barreiras. Moradora do Distrito Federal, ela se mudou para São Paulo para defender o Corinthians na categoria sub-15 e concilia os treinos com os estudos.

Convocada para a Seleção Brasileira sub-15, a jovem atleta relata que já ouviu frases desanimadoras, como “futebol não é para mulher”. Mesmo assim, transformou as críticas em combustível para seguir na carreira.

Isadora diz que aprendeu a lidar com os comentários preconceituosos e a ficar mais forte diante das dificuldades. Para outras meninas que desejam jogar futebol, ela deixa um recado de incentivo: persistir, treinar e não abandonar o sonho.

Mulheres também ampliam espaço na narração

Fora das quatro linhas, o desafio se repete. A narradora Luciana Zogaib, da equipe de esportes da EBC, destaca que a locução esportiva ainda é um ambiente majoritariamente masculino.

Ela avalia que existe forte resistência à presença feminina nas transmissões, reflexo de um machismo historicamente enraizado no futebol. Ao mesmo tempo, ressalta que ocupar esse espaço é fundamental para abrir mercado e criar novas oportunidades para outras mulheres na comunicação esportiva.

Copa do Mundo de 2027 impulsiona debate

A realização da Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027 no Brasil também reforça a discussão sobre legado esportivo e social. A EBC participa das câmaras temáticas voltadas à preparação do torneio e mantém o futebol feminino como prioridade de exibição.

Em parceria com o Ministério do Esporte, a empresa discute formas de ampliar o alcance da modalidade, inclusive em regiões mais afastadas do país. A expectativa é usar a competição como vitrine para fortalecer o esporte e ampliar sua presença no cotidiano dos brasileiros.

Mais visibilidade na televisão

A TV Brasil vai transmitir, pelo terceiro ano seguido, partidas da Série A1 do Campeonato Brasileiro Feminino. A emissora também exibirá confrontos decisivos das Séries A2 e A3, além das finais das categorias de base, como o Brasileirão Feminino Sub-17 e Sub-20.

A estratégia busca aumentar a visibilidade do futebol feminino e incentivar novas gerações de atletas. Em um cenário ainda marcado por desigualdade e preconceito, a exposição na mídia aparece como parte importante da transformação.

A expansão do futebol feminino no Brasil exige investimento, estrutura, formação e mudança cultural. Para quem vive o esporte diariamente, o recado é claro: talento existe, mas o avanço depende de apoio concreto e espaço real para as mulheres.

Fonte: Agência Brasil.