Presidente afirma que Darren Beattie só poderá entrar no Brasil quando o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, voltar a ter entrada autorizada nos Estados Unidos. Caso amplia tensão diplomática e envolve decisão do STF.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (13) que o assessor do governo Donald Trump, Darren Beattie, não entrará no Brasil enquanto o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, continuar com restrições para entrar nos Estados Unidos. A declaração foi dada durante agenda no Rio de Janeiro e eleva o tom político do episódio.
Segundo Lula, a medida é uma resposta ao bloqueio envolvendo Padilha e familiares. O presidente disse que o visto da esposa e da filha de 10 anos do ministro foi cancelado em 2025. Na época, o visto do próprio Padilha estava vencido e, por isso, não poderia ser formalmente cancelado.
“Padilha, esteja certo que você está sendo protegido”, declarou Lula, de acordo com a Agência Brasil. A fala reforça o recado do Palácio do Planalto de que o governo brasileiro tratará o caso com base na reciprocidade.
Visita de assessor ligado a Trump foi barrada
O episódio ganhou novo peso após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, negar o pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro para receber a visita de Darren Beattie. Bolsonaro havia solicitado autorização para o encontro durante a passagem oficial do assessor americano pelo Brasil.
Na decisão, Moraes apontou que a visita não foi comunicada à diplomacia brasileira e também não constava da agenda oficial prevista para ser cumprida no país. Esse foi um dos principais argumentos para o indeferimento do pedido.
Itamaraty vê risco de ingerência
Em ofício enviado ao STF, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que a visita de um representante estrangeiro a um ex-presidente da República, em ano eleitoral, poderia configurar “indevida ingerência” em assuntos internos do Brasil.
A avaliação do chanceler aumenta a dimensão diplomática do caso. Isso porque Beattie é ligado ao Departamento de Estado dos Estados Unidos e atua em temas relacionados ao Brasil.
Defesa de Bolsonaro também pediu tradutor
No pedido encaminhado ao Supremo, a defesa de Bolsonaro solicitou que a visita ocorresse na próxima segunda-feira (16), no período da manhã, ou na terça-feira (17), datas em que Darren Beattie estaria no Brasil. Os advogados também pediram autorização para a entrada de um tradutor.
O caso agora reúne três frentes sensíveis: a relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos, a atuação do STF sobre pedidos envolvendo Bolsonaro e a reação do governo Lula diante de decisões que considera desproporcionais contra integrantes de sua equipe.
Fonte: Agência Brasil.