Brasil inicia mudança no rastreamento do câncer de colo do útero com exame mais moderno e eficaz
Foi lançado nesta quinta-feira (8), pela Fundação do Câncer, o novo Guia Prático de Prevenção do Câncer do Colo do Útero, marcando uma etapa importante da campanha Janeiro Verde. O material orienta profissionais de saúde sobre a transição do método Papanicolau para o teste molecular de DNA-HPV, mais sensível e eficaz na detecção precoce do câncer.
A mudança faz parte da estratégia nacional de eliminação do câncer de colo do útero até 2030, conforme metas da Organização Mundial da Saúde (OMS). A implementação do novo teste começou em setembro de 2025, em 12 estados, com expansão prevista para outras regiões ao longo de 2026.
“Essa mudança aproxima o Brasil de países como a Austrália, referência mundial na prevenção da doença”, afirmou Flavia Corrêa, consultora médica da Fundação do Câncer.
Por que o DNA-HPV substitui o Papanicolau?
Enquanto o Papanicolau detecta alterações celulares já existentes, o teste de DNA-HPV identifica o vírus causador da lesão antes que o câncer se desenvolva, o que aumenta a eficácia da prevenção. O novo teste também permite ampliar o intervalo entre os exames de três para cinco anos, graças à sua maior sensibilidade (99%).
A nova tecnologia, 100% nacional, já foi incorporada ao SUS e será utilizada gradualmente, evitando a coexistência dos dois métodos na mesma unidade de saúde — o que pode causar confusão ou duplicidade de exames.
Público-alvo e periodicidade
- Público-alvo: mulheres de 25 a 64 anos, mesma faixa etária do Papanicolau.
- Periodicidade:
- No Papanicolau: exame anual inicialmente e, se normal, a cada 3 anos.
- No DNA-HPV: exame a cada 5 anos, se o resultado for negativo.
Mulheres com resultado positivo para os tipos HPV 16 e 18, responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer do colo do útero, serão encaminhadas imediatamente para colposcopia. Para casos de outros tipos de HPV oncogênico, será feita a chamada citologia reflexa e, dependendo do resultado, pode haver novo exame em 1 ano ou encaminhamento imediato.
Vacinação contra HPV: pilar essencial da prevenção
Além do novo rastreamento, a vacinação contra o HPV segue sendo uma das estratégias mais eficazes na prevenção do câncer. A vacina está disponível gratuitamente no SUS para:
- Meninas e meninos de 9 a 14 anos (dose única);
- Grupos prioritários até 45 anos (pessoas com HIV/Aids, transplantados, pacientes oncológicos, vítimas de abuso sexual e usuários de PrEP).
O governo federal também está fazendo o resgate vacinal de adolescentes entre 15 e 19 anos, com campanhas intensificadas até o primeiro semestre de 2026.
Estratégia global e desafios no Brasil
O Brasil aderiu à estratégia da OMS com três metas até 2030:
- Vacinar 90% das meninas até os 15 anos;
- Rastrear 70% das mulheres com teste molecular;
- Tratar 90% das pacientes com lesões ou câncer.
Segundo especialistas, o sucesso depende da estruturação de toda a rede de cuidado, incluindo diagnóstico, encaminhamento e tratamento oportuno. “Não basta mudar o teste, é preciso garantir que toda mulher com alteração receba cuidado adequado”, reforçou Flavia Corrêa.
Consulte o novo guia da Fundação do Câncer e compartilhe esta informação com outras mulheres. O câncer de colo do útero é evitável, e a prevenção começa agora.
Fonte: Agência Brasil