Cannabis medicinal transforma a vida de adolescente com Síndrome de Down e MoyaMoya

Após prognóstico de seis anos de vida, jovem chega aos 15 anos com qualidade de vida e desenvolvimento surpreendentes graças ao tratamento com cannabis medicinal.

Ter um filho com Síndrome de Down nunca foi exatamente uma surpresa para a psicóloga Fernanda Carina. Desde cedo, ela intuía que seria mãe de uma criança atípica. “Quando os exames confirmaram, foi difícil aceitar que tinha virado realidade”, relembra.

Miguel Ângelo nasceu prematuro, com apenas 29 semanas, enfrentando diversos problemas respiratórios e internações. Aos três anos, após um acidente vascular cerebral, veio o diagnóstico da Síndrome de MoyaMoya — doença rara que compromete a circulação sanguínea no cérebro, aumentando o risco de derrames e convulsões.

Mesmo com o acompanhamento de 17 especialistas, a saúde de Miguel se agravou e ele perdeu habilidades como andar e falar. Desesperada por alternativas, Fernanda conheceu a médica Paula Vinha, especialista em cannabis medicinal, e decidiu iniciar o tratamento. “Nossa vida se divide entre antes e depois da cannabis”, conta.

Segundo a Dra. Paula, a cannabis medicinal pode melhorar a qualidade de vida de pacientes com Síndrome de Down, ajudando no controle de sintomas como convulsões, distúrbios do sono e agitação. “Com o acompanhamento adequado, é uma ferramenta poderosa para ressignificar o tratamento de condições complexas”, explica.

A decisão de usar cannabis enfrentou resistência e preconceito, mas para Fernanda, os resultados falaram mais alto. “Era um direito do Miguel poder experimentar o mundo como qualquer criança”, afirma. Hoje, aos quase 15 anos, Miguel está ativo, usa menos medicamentos convencionais e participa da vida escolar e familiar de forma muito mais plena.

A diretora médica da Thronus Medical, Dra. Mariana Maciel, reforça: “Compostos como o CBD e o THC, em doses controladas, auxiliam na redução de convulsões, melhora do humor, sono e relaxamento muscular”.

Fernanda se tornou defensora da cannabis medicinal e incentiva outras famílias a buscarem informação. “Não romantizo a trajetória, mas poder vivenciar esses momentos com meu filho é um privilégio. Saúde é o que mais importa”, finaliza.


Fontes:
Entrevista com Fernanda Carina; Dra. Paula Vinha, médica prescritora de cannabis medicinal; Dra. Mariana Maciel, diretora médica da Thronus Medical.