Após virar réu, Bolsonaro nega tentativa de golpe e fala em perseguição política

Ex-presidente é acusado de articular minuta golpista com apoio de militares; defesa contesta denúncia da PGR

Após ser tornado réu no Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente Jair Bolsonaro negou qualquer envolvimento em plano de golpe de Estado. A denúncia, apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), sustenta que Bolsonaro teria discutido uma minuta de decreto para anular as eleições de 2022 com os comandantes das Forças Armadas. Segundo a acusação, a proposta teria sido apresentada em reunião no Palácio da Alvorada, em dezembro de 2022.

Em pronunciamento nesta quarta-feira (26), em frente ao Senado Federal, Bolsonaro se defendeu da acusação e reafirmou ser alvo de perseguição política. “Não houve convocação de conselhos, nem atos preparatórios. Discutir hipóteses constitucionais não é crime”, declarou, referindo-se à possibilidade de decretação de Estado de Defesa, prevista na Constituição.

Durante os 50 minutos de fala, o ex-presidente evitou responder perguntas da imprensa e voltou a fazer críticas ao STF, especialmente ao ministro Alexandre de Moraes. Também repetiu alegações infundadas sobre a segurança das urnas eletrônicas e afirmou que o processo tem motivação política, comparando sua situação ao que ocorre em países como Venezuela e Nicarágua.

Minuta do golpe e suposto apoio militar

Segundo a denúncia, Bolsonaro contava com apoio do então comandante da Marinha, Almir Garnier, para a execução da proposta de golpe. Já os comandantes do Exército e da Aeronáutica teriam rejeitado a ideia. A PGR afirma que um discurso pronto, que seria utilizado após o golpe, foi encontrado em posse do ex-presidente na sede do Partido Liberal (PL).

Questionado por um jornalista se teria discutido de fato o conteúdo do decreto, Bolsonaro desconversou e reagiu com hostilidade. “Se quiser tumultuar com você, vamos embora”, disse, mantendo o tom confrontador que costumava adotar em entrevistas durante o mandato.

Defesa alega perseguição

Nas redes sociais, Bolsonaro reiterou que é alvo de perseguição política para impedir sua atuação nas próximas eleições. “Querem me julgar rapidamente para evitar que eu chegue livre às eleições de 2026”, escreveu. Apesar disso, o ex-presidente já está inelegível até 2031 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A narrativa de perseguição tem sido adotada por aliados como forma de deslegitimar o processo judicial. No entanto, especialistas em direito constitucional e ciência política apontam que as ações da Justiça seguem os trâmites legais e institucionais, sem indícios de arbitrariedades.

Reações no Congresso

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que não há perseguição política em curso no país. “O Brasil é uma democracia e todas as instituições funcionam com independência”, declarou o parlamentar, rebatendo o discurso adotado por Bolsonaro e seus apoiadores.

Fonte: Agência Brasil – Lucas Pordeus León