Doença de Newcastle em SC: granja é esvaziada após surto

Ministério da Agricultura confirma conclusão do despovoamento sanitário em Nova Itaberaba. Quatro municípios de Santa Catarina estão sob emergência zoossanitária por 60 dias para conter a disseminação do vírus.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou, nesta quinta-feira (22), a conclusão do despovoamento sanitário de uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba, no oeste de Santa Catarina, após a identificação de um foco da doença de Newcastle. O estabelecimento permanece sob medidas de controle sanitário, enquanto as autoridades intensificam a vigilância na região para impedir a propagação do vírus.

Segundo o ministério, as equipes iniciaram os procedimentos de limpeza e desinfecção das instalações, seguindo os protocolos oficiais de biossegurança. A operação integra uma série de ações emergenciais adotadas após a confirmação da doença, no domingo (18).

Quatro municípios estão em emergência sanitária

A confirmação do foco levou o governo federal a declarar estado de emergência zoossanitária por 60 dias em quatro municípios catarinenses: Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim.

A medida permite intensificar as ações de prevenção, controle e erradicação da doença, considerada uma ameaça à produção avícola devido ao seu potencial de disseminação entre aves.

Desde a identificação do vírus, o estabelecimento afetado foi interditado pelo Serviço Veterinário Oficial de Santa Catarina. A movimentação de aves foi suspensa, e propriedades localizadas na área de restrição sanitária passaram a receber acompanhamento das equipes de fiscalização.

Equipes intensificam fiscalização e controle de animais

Além da desinfecção da granja, as autoridades mantêm ações de vigilância epidemiológica nas propriedades próximas ao foco. O objetivo é identificar possíveis ocorrências da doença e reduzir o risco de contaminação de outros plantéis.

Os trabalhos envolvem profissionais da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), da prefeitura, da Polícia Civil e do Instituto Catarinense de Sanidade Agropecuária.

De acordo com o Ministério da Agricultura, também estão sendo realizados controles sobre o trânsito de animais e materiais sujeitos às regras sanitárias.

“A atuação integrada do Mapa com o serviço veterinário oficial de Santa Catarina busca impedir a disseminação da doença e preservar a condição sanitária da avicultura brasileira”, destacou o ministério em nota divulgada pela Agência Brasil.

Brasil comunica surto da doença de Newcastle a organismos internacionais

O governo brasileiro notificou oficialmente a ocorrência da doença de Newcastle à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). Parceiros comerciais internacionais também foram informados sobre o foco e as medidas sanitárias adotadas.

A comunicação faz parte dos compromissos internacionais de transparência sanitária assumidos pelo Brasil, especialmente em relação à produção e ao comércio de produtos avícolas.

As autoridades brasileiras seguem monitorando a situação para evitar a disseminação do vírus e proteger a cadeia produtiva da avicultura nacional.

O que é a doença de Newcastle e como ela afeta as aves?

A doença de Newcastle é uma enfermidade viral altamente contagiosa que afeta aves domésticas e silvestres. É causada por cepas virulentas do paramixovírus aviário tipo 1 (APMV-1) e pode provocar graves prejuízos à produção avícola.

Entre os principais sinais clínicos observados nas aves estão problemas respiratórios, alterações neurológicas, diarreia, queda na produção de ovos e mortalidade elevada, dependendo da virulência do vírus.

A transmissão pode ocorrer pelo contato com aves infectadas, secreções, fezes, equipamentos e materiais contaminados. Por isso, medidas de biossegurança e restrição da movimentação de animais são fundamentais para controlar a enfermidade.

Como o foco foi confirmado em Santa Catarina?

A ocorrência foi identificada durante uma investigação epidemiológica conduzida pelo serviço veterinário oficial catarinense. A confirmação laboratorial ocorreu após análises realizadas pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo.

O foco foi oficialmente confirmado em 18 de outubro de 2026, quando as autoridades determinaram a interdição imediata do estabelecimento e iniciaram as medidas de contenção.

Até a divulgação das informações pelo ministério, as ações permaneciam concentradas na desinfecção das instalações, no monitoramento de propriedades e na fiscalização sanitária da região afetada.

Avicultores devem redobrar cuidados com a biossegurança

A identificação do foco em Santa Catarina reforça a importância da prevenção em granjas comerciais e pequenas propriedades rurais. Produtores devem manter medidas rigorosas de higiene, controlar a entrada de pessoas e veículos e observar possíveis sinais de enfermidades nos plantéis.

Em caso de suspeita da doença, a orientação é comunicar imediatamente o serviço veterinário oficial para que sejam realizadas as avaliações necessárias.

Fonte: Agência Brasil — Paula Laboissière, publicada em 22 de outubro de 2026, às 15h21, com informações do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).