Após mais de uma semana de paralisação, trabalhadores dos Correios aguardam julgamento no TST; plano de saúde, reajuste salarial e benefícios estão entre os principais impasses.
A greve dos trabalhadores dos Correios ultrapassou uma semana em todo o país, e um momento decisivo para o conflito está marcado para segunda-feira (21). O Tribunal Superior do Trabalho (TST) deve julgar o dissídio coletivo a partir das 13h30, segundo informações publicadas pela Agência Brasil nesta sexta-feira (18).
O principal impasse envolve mudanças no plano de saúde dos Correios. Os trabalhadores contestam a proposta de alteração da condição da empresa de mantenedora para patrocinadora do CorreiosSaúde, medida que, segundo representantes da categoria, poderá aumentar os custos para empregados, aposentados e dependentes.
Plano de saúde está no centro da greve dos Correios
As entidades sindicais afirmam que a mudança no modelo do CorreiosSaúde poderá resultar em elevação de mensalidades e despesas para os beneficiários. A categoria também sustenta que a alteração poderá provocar perda de direitos previstos nas atuais condições trabalhistas.
Outro ponto de divergência é o reajuste salarial. Os sindicatos rejeitaram a proposta inicial apresentada pelos Correios, que previa aumento de 0,87%.
Segundo a categoria, a reivindicação é por uma recomposição que acompanhe a inflação acumulada, além de ganho real. Os trabalhadores argumentam que o percentual oferecido pela estatal ficou abaixo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
Trabalhadores reivindicam retomada de benefícios
Além da questão salarial e do plano de saúde, os empregados reivindicam o retorno do adicional de 70% sobre as férias. Também pedem a retomada do pagamento de 200% sobre o repouso ou feriado trabalhado.
A categoria se posiciona ainda contra a possibilidade de extinção de gratificações específicas. Entre os benefícios mencionados estão gratificações para motoristas, quebra de caixa e o vale extra de Natal.
TST determina manutenção de 80% do efetivo
Em decisão relacionada à greve, o Tribunal Superior do Trabalho determinou que 80% dos empregados permaneçam em atividade em cada unidade dos Correios.
De acordo com a Agência Brasil, o presidente do TST, ministro Vieira de Mello Filho, considerou a essencialidade dos serviços postais e os impactos da paralisação no período eleitoral de 2026 ao estabelecer o percentual mínimo de funcionamento.
Federação cobra retomada das negociações
A Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect) afirmou, em nota, que espera uma iniciativa concreta para a retomada das negociações entre trabalhadores e empresa.
A entidade criticou o fato de outros temas administrativos receberem atenção enquanto permanecem pendentes questões relacionadas ao acordo coletivo e ao plano de saúde.
“Em meio a uma greve e com o acordo coletivo sem solução, a empresa dedica espaço a novos uniformes, tamanhos, tecidos e procedimentos de entrega, enquanto a questão que mais preocupa os trabalhadores permanece sem resposta: a garantia do plano de saúde.”
Segundo a Findect, aquisições e alterações relacionadas aos uniformes são importantes, mas estariam ocorrendo em um momento considerado inadequado pela entidade diante das negociações em andamento.
Correios dizem que serviços continuam funcionando
Em nota, os Correios informaram que os serviços permanecem em funcionamento em todo o país e classificaram a adesão à paralisação como parcial. A estatal afirmou que adotou medidas para reduzir eventuais impactos aos clientes.
“Entre as medidas adotadas estão a mobilização de empregados administrativos para apoio às atividades operacionais, o remanejamento de veículos e a realização de mutirões para preservar o fluxo logístico.”
A empresa orienta os consumidores que aguardam encomendas a acompanhar o rastreamento pelo site ou aplicativo dos Correios e aguardar a entrega no endereço cadastrado.
Para situações específicas, os Correios disponibilizam atendimento pelos telefones 4003-8210 e 0800-881-8210, além do chat e do serviço Fale Conosco no portal www.correios.com.br.
Julgamento pode definir os próximos passos
Com o julgamento do dissídio coletivo marcado para segunda-feira (21), trabalhadores e direção dos Correios aguardam uma definição sobre os pontos que permanecem sem acordo. Plano de saúde, reajuste salarial e benefícios estão entre as principais questões em disputa.
A decisão do TST poderá estabelecer as condições aplicáveis ao conflito coletivo e influenciar os próximos passos da paralisação.
Fonte: Agência Brasil .