Após cinco anos de impasse, estatal aposta em nova fronteira energética com potencial de 10 bilhões de barris
A Petrobras recebeu autorização do Ibama para iniciar, de forma imediata, a perfuração do bloco FZA-M-059, localizado em águas profundas da Margem Equatorial, ao norte do Amapá. A decisão marca um passo decisivo na exploração da área considerada uma “nova fronteira energética mundial”, com potencial comparado ao do pré-sal.
A licença ambiental, aguardada desde 2013, foi anunciada nesta segunda-feira (20) e representa o desfecho de um processo que incluiu mais de 65 reuniões técnicas, vistorias em campo e uma simulação de emergência com foco na proteção da fauna. A perfuração deve durar cerca de cinco meses e visa apenas a pesquisa geológica, sem produção de petróleo nesta fase inicial.
A sonda já está posicionada a 175 km da costa do Amapá e a 500 km da foz do rio Amazonas. O objetivo é confirmar a viabilidade econômica da extração de petróleo e gás na região.
Licença veio após revisão e reforço ambiental
Segundo o Ibama, o licenciamento foi concedido após um “rigoroso processo”, que incluiu audiências públicas e a criação de uma nova base de atendimento à fauna em Oiapoque (AP). A negativa anterior, em 2023, foi revertida após ajustes substanciais no projeto da Petrobras, que se comprometeu com medidas de proteção e resposta a emergências.
Magda Chambriard, presidente da estatal, comemorou a liberação e destacou o esforço institucional: “É uma conquista da sociedade brasileira. Vamos operar com segurança, responsabilidade e qualidade técnica.”
Expectativa bilionária impulsiona decisão
Um estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estima que o volume recuperável da Bacia da Foz do Amazonas pode atingir até 10 bilhões de barris de óleo equivalente. Atualmente, as reservas brasileiras somam 66 bilhões de barris, segundo a ANP. Com essa projeção, a Petrobras aposta na Margem Equatorial como alternativa estratégica para garantir o abastecimento nacional na próxima década.
O atraso na obtenção da licença, segundo a estatal, causou um prejuízo estimado em R$ 4 milhões por dia.
Exploração divide opiniões
Enquanto o governo federal e líderes do Congresso, como o presidente do Senado Davi Alcolumbre (União-AP), defenderam a liberação como um motor de desenvolvimento, ambientalistas criticam a decisão. Eles alegam que a atividade contraria a agenda de transição energética e pode gerar impactos ao ecossistema amazônico, ainda pouco estudado na região marítima.
A Petrobras rebate afirmando que a área de perfuração está a mais de 500 km da foz do rio Amazonas e que todas as exigências ambientais foram atendidas com rigor.
Entenda o que está em jogo:
- A área da Margem Equatorial já revelou petróleo em países vizinhos como Guiana, Suriname e Guiana Francesa;
- A perfuração será feita em alto-mar, a grandes profundidades, com tecnologia de ponta;
- A licença é apenas para pesquisa, e a produção dependerá de novas autorizações futuras;
- A estatal busca reduzir a dependência de importação de petróleo no futuro.
Acompanhe tudo sobre petróleo, meio ambiente e energia no nosso portal. Para mais informações sobre o impacto regional da perfuração, veja também nossas matérias sobre o Amapá e o litoral norte.
E você, o que acha da liberação da licença para a Margem Equatorial? Comente, compartilhe e siga nossas redes para continuar bem informado.
Fonte: Agência Brasil