Primeira remessa do medicamento chega ao país e será distribuída a estados com casos de intoxicação por bebidas adulteradas
O Ministério da Saúde recebeu nesta quinta-feira (9) um lote com 2,5 mil unidades do antídoto fomepizol, usado no tratamento de intoxicações por metanol, substância tóxica presente em bebidas alcoólicas adulteradas. É a primeira vez que o Brasil recebe o medicamento, considerado raro e de difícil obtenção mundialmente.
Dessas, 1,5 mil unidades começam a ser distribuídas imediatamente, com prioridade para São Paulo, estado que concentra o maior número de casos registrados. O restante será destinado a outras regiões com notificações confirmadas, como Rio de Janeiro, Pernambuco, Paraná e Rio Grande do Sul. As mil ampolas restantes ficarão em estoque estratégico do ministério.
Segundo o órgão, a distribuição leva em conta dados demográficos oficiais do IBGE e a incidência de casos. A compra do lote foi feita junto à subsidiária de uma empresa japonesa, com apoio do Fundo Estratégico da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).
Treinamento e fiscalização
O presidente da Anvisa, Leandro Safatle, informou que 5 mil agentes de vigilância, policiais e servidores do Ministério da Agricultura estão sendo capacitados para lidar com as ocorrências e fiscalizar a produção clandestina de bebidas. “Estamos qualificando as equipes para atuar rapidamente, recolher amostras e encaminhar aos laboratórios”, explicou.
A ação é resultado de uma parceria entre a Anvisa, o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Produtores de Bebida, que vem auxiliando no rastreamento de produtos suspeitos.
Novo recurso no combate ao metanol
De acordo com Mariângela Simão, secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, o fomepizol complementa o uso do etanol farmacêutico, que já estava disponível no país. “Agora temos uma alternativa mais segura e eficaz”, destacou.
A secretária explicou que os sintomas da intoxicação por metanol podem surgir entre 6 e 72 horas após o consumo, variando conforme a dose e o metabolismo da pessoa. O tratamento com fomepizol, que utiliza cerca de quatro ampolas por paciente, pode ser decisivo para evitar sequelas graves ou mortes.
Estoque emergencial e produção limitada
Por ser um medicamento órfão, o fomepizol é produzido em pequena escala no mundo. Para garantir o abastecimento nacional, o governo já negocia a compra de mais 5 mil unidades, com validade estimada de dois anos.
Além disso, o Ministério da Saúde receberá 12 mil ampolas de etanol farmacêutico doadas pela empresa brasileira Cristália Produtos Químicos e Farmacêuticos. O material se somará às 4,3 mil ampolas já entregues por hospitais universitários federais, em parceria com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).
Fontes: Agência Brasil, Ministério da Saúde, Anvisa, Opas.