Pesquisa da Fiocruz mostra avanços nas práticas hospitalares, mas revela lacunas graves no acompanhamento das gestantes.
A assistência ao parto no Brasil apresentou melhorias significativas na última década, segundo a pesquisa Nascer no Brasil 2, divulgada pela Fiocruz. Entre os avanços, destaca-se a queda drástica no uso de intervenções como a episiotomia — corte no canal vaginal — que caiu de 47% para 7% no SUS. A manobra de Kristeller, considerada uma forma de violência obstétrica, também registrou redução expressiva.
No Rio de Janeiro, a maioria das mulheres pôde se movimentar, se alimentar e adotar posições verticalizadas durante o parto, práticas que favorecem a saída do bebê e marcam uma mudança cultural importante. “É uma adesão enorme às boas práticas e uma eliminação de intervenções desnecessárias. Isso é fruto de políticas públicas”, destacou a coordenadora da pesquisa, Maria do Carmo Leal.
Cesarianas ainda em excesso
Apesar dos avanços, a taxa de cesarianas segue acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). No SUS, o índice subiu de 43% para 48%, enquanto na rede privada chegou a 81% no Brasil e 86% no Rio de Janeiro. A OMS recomenda que não ultrapasse 15%, e apenas em casos necessários.
Pré-natal em alerta
Os dados sobre o pré-natal acenderam um sinal de alerta. Embora quase todas as gestantes do Rio tenham recebido acompanhamento, apenas um terço realizou exames básicos de pressão arterial e glicemia. A prescrição de ácido fólico foi registrada em menos de 34% dos casos, e só 31,6% receberam vacinas contra tétano e hepatite B.
Entre as gestantes de alto risco, 75% nunca tiveram consulta com especialistas, limitando-se à atenção básica. Muitas relataram peregrinação até conseguirem atendimento adequado, o que aumenta os riscos tanto para mãe quanto para o bebê.
A pesquisa mostra que, enquanto a assistência ao parto evolui para práticas mais humanizadas, o pré-natal ainda carece de estrutura, especialmente para gestantes em situação de maior vulnerabilidade.
Fonte: Agência Brasil