3 em cada 10 casas no Brasil seguem sem esgoto ligado à rede geral

Norte e Nordeste apresentam os piores índices de saneamento básico, aponta IBGE

Quase um terço das residências brasileiras ainda não tem acesso à rede geral de esgoto. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), divulgados nesta sexta-feira (22) pelo IBGE, mostram que, em 2024, 29,5% dos 77 milhões de domicílios do país estavam sem ligação.

O cenário, apesar de uma leve melhora em relação a 2019, quando o índice era de 32%, ainda expõe desigualdades regionais profundas. Enquanto no Sudeste mais de 90% dos lares estão conectados, no Norte o número cai para 31,2% e no Nordeste para 51,1%.

Diferenças regionais preocupam

No Norte, a situação é ainda mais crítica: mais de um terço das residências (36,4%) recorrem a soluções precárias, como fossas rudimentares, valas ou córregos. Já no Piauí, apenas 13,5% dos domicílios têm esgoto ligado à rede, o pior índice do país.

Por outro lado, São Paulo (94,1%), Distrito Federal (91,1%) e Rio de Janeiro (89,2%) estão entre os melhores colocados no ranking nacional.

Água e lixo também revelam desigualdades

O levantamento aponta que 86,3% das casas recebem água pela rede geral. Porém, em Rondônia, menos da metade (47,4%) tem esse tipo de abastecimento. Além disso, a disponibilidade diária não é garantida em todo o território: em Pernambuco, menos da metade dos lares (44,3%) recebem água todos os dias.

Na coleta de lixo, o serviço chega a 86,9% dos domicílios. Mas no Norte e no Nordeste ainda há alta incidência de famílias que queimam o lixo dentro da propriedade, mais que o dobro da média nacional.

Saneamento segue como desafio

Outro dado preocupante vem do Instituto Trata Brasil: apenas 51,8% do esgoto coletado no país recebe tratamento adequado. Especialistas apontam que a falta de saneamento compromete a saúde pública, a preservação ambiental e a qualidade de vida da população.

A pesquisa do IBGE também mostra avanços em algumas áreas. No Norte, por exemplo, aumentou a proporção de casas com paredes de alvenaria e pisos de cerâmica, sinalizando melhorias nas condições estruturais dos domicílios.

A desigualdade, entretanto, continua sendo a marca dos serviços básicos no Brasil — especialmente quando se olha para a diferença entre áreas urbanas e rurais: nas cidades, 78,1% dos lares têm ligação de esgoto; no campo, apenas 9,4%.

Fonte: Agência Brasil / IBGE