A inteligência artificial virou parte do nosso dia a dia. Fingir que não é real só atrasa o
debate.
Você já percebeu como a inteligência artificial deixou de ser assunto só de especialistas e
passou a fazer parte da rotina até na casa da sua mãe? Ela está presente desde
ferramentas de trabalho e assistentes para planejar festas até diagnósticos médicos
improvisados. A IA está em toda parte, e o mais impressionante é a rapidez com que isso
aconteceu.
O ChatGPT, por exemplo, já é o sexto site mais acessado do mundo. Estima-se que 43% da
força de trabalho americana já utiliza inteligência artificial generativa. Em questão de meses,
essa tecnologia deixou de ser uma curiosidade e se tornou essencial. Mesmo com opiniões
divididas, a verdade é clara: a IA está presente, influente e em crescimento constante.
Do entretenimento à terapia: a nova rotina com IA
Hoje, a IA está sendo usada para organizar fotos de casamento, decorar casas, preparar
entrevistas, revisar textos e até ajudar a identificar doenças raras em pets. Tem gente
utilizando o recurso no carro como um podcast interativo. Outras pessoas já preferem
conversar com um chatbot em vez de manter sessões de terapia com preços elevados.
No ambiente de trabalho, a IA virou uma grande aliada em processos de brainstorming,
pesquisas e até no desenvolvimento de código. Para muitos, ela já substituiu o Google em
tarefas simples do cotidiano.
Nem tudo são flores (ainda)
Apesar de impressionar, a IA ainda apresenta limitações. Ela pode alucinar , ou seja,
inventar informações , não possui memória de longo prazo e pode agir de forma desalinhada
com valores humanos. Como observaram os jornalistas Kevin Roose e Casey Newton no
podcast Hard Fork, não se deve esperar 100% de precisão. O mais sensato é tratá-la como
uma assistente muito inteligente, porém distraída em certos momentos.
IA vai tomar meu emprego?
Essa é a pergunta de milhões. E a resposta, por enquanto, é: talvez. Algumas tarefas de
fato serão automatizadas. No entanto, isso pode gerar uma valorização do que é
autenticamente humano, como a criatividade, a sensibilidade e o bom gosto. Assim como o
fast food impulsionou o movimento slow food, é possível que surja um novo mercado voltado
ao conteúdo e aos produtos com toque mais artesanal e real.
E se isso for só o começo?
Ainda é cedo para prever onde tudo isso vai dar. Mas uma coisa é certa: ignorar o impacto
da IA é como fingir que não há uma tempestade se aproximando. Em vez de negar, o mais
prudente é compreender como essa tecnologia funciona, em que pode ajudar e em quais
pontos deve haver limites. No fim das contas, o futuro da tecnologia também depende das
decisões humanas.
Fonte: Trechos adaptados da conversa entre Kevin Roose e Casey Newton, publicada no
The New York Times Magazine (junho de 2025).