Especialistas alertam para impactos sociais, vício e evasão escolar causados pelas apostas online, enquanto Congresso discute novas regras para o setor
As apostas esportivas e os cassinos online, popularmente chamados de “bets”, viraram febre entre os brasileiros — especialmente entre os mais jovens. Impulsionadas por influenciadores e celebridades, as plataformas atraem apostadores com promessas de ganhos rápidos, mas escondem um rastro preocupante de vícios, endividamento e prejuízos sociais.
O deputado estadual Luiz Claudio Romanelli (PSD), uma das vozes mais ativas na defesa da regulação das apostas no Brasil, alerta que o vício em jogos de azar se tornou um problema de saúde pública. “Os impactos sociais são devastadores. Famílias estão se desestruturando, jovens estão abandonando a escola e muitas pessoas estão contraindo dívidas impagáveis”, afirma.
O avanço descontrolado do setor preocupa especialistas em educação e saúde mental. A facilidade de acesso, a publicidade intensa e a ausência de regulamentação eficaz contribuem para um ambiente propício ao surgimento de transtornos compulsivos. Segundo Romanelli, a falta de barreiras e fiscalização faz com que adolescentes tenham acesso irrestrito às plataformas, contrariando leis de proteção à infância e juventude.
Além das consequências psicológicas, o fenômeno tem gerado impactos na economia popular. A crescente adesão às apostas digitais está relacionada ao aumento do endividamento entre as classes mais vulneráveis, agravando desigualdades e contribuindo para a crise social. Para completar o cenário preocupante, investigações sobre esquemas fraudulentos e a chamada “máfia das apostas” colocam em xeque a integridade do setor esportivo e do próprio sistema de apostas.
No Congresso Nacional, tramitam propostas para regular a atividade. Entre os pontos em discussão estão a proibição de publicidade voltada a menores, a taxação progressiva dos ganhos — incluindo o chamado “imposto BBB”, que incidiria sobre prêmios milionários — e a criação de fundos para tratamento de viciados.
No entanto, Romanelli destaca que apenas a regulação não basta. “É preciso uma legislação que combine regras rígidas com campanhas educativas e ações de prevenção. Não se pode permitir que o lucro dessas plataformas continue à custa da saúde mental e do futuro dos nossos jovens.”
Com o crescimento acelerado das “bets”, a sociedade brasileira é desafiada a encontrar um equilíbrio entre liberdade econômica e responsabilidade social. A urgência da regulação vai além da arrecadação: está em jogo o bem-estar de milhões de brasileiros.
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Fonte: Assembleia Legislativa do Paraná; Declarações do deputado Luiz Claudio Romanelli.