Inverno dispara casos graves de vírus respiratórios e acende alerta nas autoridades

Vacinação contra gripe e covid-19 ainda está abaixo do ideal; especialistas reforçam cuidados para evitar mortes

O número de casos graves de infecções respiratórias disparou em 2025: nas primeiras 24 semanas epidemiológicas, o aumento foi de 30% em relação ao mesmo período do ano passado. Com a chegada do inverno — estação que intensifica a circulação de vírus — a preocupação com gripes, covid-19 e bronquiolite ganha ainda mais urgência.

Segundo a infectologista Silvia Fonseca, o frio favorece a transmissão viral. “Com mais pessoas em ambientes fechados e mal ventilados, as gotículas com vírus se espalham com facilidade”, alerta. Além disso, o ar seco e gelado irrita as vias respiratórias, deixando o organismo mais vulnerável.

Dados da Fiocruz apontam crescimento acelerado da influenza, que hoje responde por 40% dos casos graves com diagnóstico viral positivo. O vírus da gripe também é responsável por metade das mortes por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) — proporção que chega a quase 75% nas últimas semanas.

Vacinação ainda é baixa e preocupa

Apesar do avanço da doença, menos de 40% do público-alvo se vacinou contra a gripe neste ano, segundo o Ministério da Saúde. A vacina, que protege contra os subtipos A H1N1, A H3N2 e B, é altamente eficaz para prevenir casos graves e mortes.

A baixa cobertura vacinal também é crítica no combate à covid-19, que, embora represente apenas 1,6% dos testes positivos recentes, ainda causa mais de 4% das mortes virais graves. “O coronavírus continua letal, especialmente entre idosos”, destaca Silvia.

Bronquiolite entre crianças segue em alta

Outro vilão é o vírus sincicial respiratório (VSR), líder nos casos graves em 2025 e responsável por 13% das mortes virais nas últimas quatro semanas. O VSR preocupa especialmente entre crianças menores de dois anos, público mais vulnerável à bronquiolite. Embora já haja vacina para gestantes e idosos, ela ainda está restrita à rede privada — mas será incorporada ao SUS no segundo semestre.

Cuidados simples seguem fundamentais

A professora de Enfermagem Andréia Neves de Sant’Anna reforça que os cuidados de etiqueta respiratória continuam eficazes:
– Lavar as mãos com frequência;
– Evitar aglomerações e locais fechados;
– Usar lenços descartáveis e cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar;
– Manter os ambientes ventilados e evitar contato com pessoas doentes.

Ela também recomenda repouso, boa alimentação e hidratação adequada como aliados da recuperação.

Atenção redobrada salva vidas neste inverno

A percepção de que “gripe é coisa leve” ainda compromete a prevenção. Mas os dados mostram o contrário: o vírus influenza pode evoluir para quadros graves e fatais, especialmente em grupos de risco. A vacinação anual é uma proteção indispensável.

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Fonte: Agência Brasil