Farmácias passam a reter receitas de canetas emagrecedoras a partir de hoje

Medida da Anvisa visa conter uso estético indiscriminado e proteger a saúde pública

A partir desta segunda-feira (23), farmácias de todo o país estão obrigadas a reter receitas de medicamentos agonistas GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras. A medida, determinada pela Anvisa, mira o uso descontrolado de substâncias como semaglutida, liraglutida e tirzepatida, que vêm sendo usadas com foco estético e sem acompanhamento médico.

A decisão foi publicada há 60 dias no Diário Oficial da União e agora entra em vigor com força total. A prescrição desses medicamentos passa a ser feita em duas vias, e só será aceita mediante retenção da receita, a exemplo do que já ocorre com antibióticos. As farmácias também deverão registrar todas as movimentações no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC).

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), houve um aumento expressivo de notificações de efeitos adversos relacionados ao uso dessas canetas fora das indicações médicas. Os dados foram registrados no sistema VigiMed e superaram, em proporção, os números globais.

“Esses medicamentos são recentes, e seus efeitos a longo prazo ainda estão sendo estudados”, alertou o diretor-presidente substituto da Anvisa, Rômison Rodrigues Mota. “Usá-los sem supervisão médica é um risco grave à saúde.”

Apesar das novas regras, os médicos continuam autorizados a prescrever o uso off label — fora das indicações previstas em bula — desde que justifiquem a necessidade e esclareçam o paciente sobre os riscos envolvidos.

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e outras entidades da área da saúde já haviam pedido a retenção das receitas como forma de garantir que o medicamento chegue a quem realmente precisa. Em nota, reforçaram que a facilidade de compra tem impulsionado a automedicação e dificultado o acesso de pacientes com quadros clínicos legítimos.

Fique atento: a validade da receita agora é de até 90 dias. Se você faz uso desses medicamentos, consulte seu médico e evite riscos.

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Fonte: Agência Brasil, Anvisa.