Novo bairro e programas habitacionais tentam atender famílias afetadas, mas obras seguem em ritmo lento
Quase um ano após a maior tragédia climática da história do Rio Grande do Sul, milhares de famílias ainda esperam por moradias definitivas. As enchentes de maio de 2024 devastaram mais de 400 municípios, deixando 147 mortos e afetando mais de 2,1 milhões de pessoas. Em Cruzeiro do Sul, no Vale do Taquari, a reconstrução caminha devagar e muitos sobreviventes vivem em abrigos temporários.
No bairro Passo da Estrela, completamente destruído pela força das águas, o casal Danilo Hiedt e Liana Maria de Quadros vive atualmente em um contêiner de concreto. Após sobreviverem por horas em uma canoa, eles agora aguardam ansiosamente pela entrega de uma nova residência no loteamento Novo Passo da Estrela, que contará com 480 lotes.
As moradias definitivas, prometidas para o final de 2025, ainda estão em fase inicial. Enquanto isso, os abrigos temporários, com cerca de 27 m², oferecem condições mínimas de moradia para 58 famílias. O investimento no novo bairro é estimado em R$ 120 milhões, dividido entre recursos do governo estadual e da prefeitura.
Em meio à reconstrução, o governo federal também anunciou projetos como a construção de 500 unidades habitacionais pelo programa Minha Casa, Minha Vida, além da modalidade Compra Assistida, que já beneficiou 50 famílias com até R$ 200 mil para aquisição de imóveis prontos.
Além das casas, a área do antigo Passo da Estrela será transformada em um Parque Memorial, para homenagear as vítimas da tragédia. No local, máquinas trabalham para demolir os últimos escombros e preparar o terreno para receber áreas de lazer e vegetação.
Outros municípios do Vale do Taquari, como Estrela, Muçum, Lajeado e Arroio do Meio, também enfrentam desafios na realocação das famílias. A maioria dos projetos habitacionais ainda se encontra em fases iniciais de construção ou licitação, agravados pela burocracia e falta de agilidade nos processos administrativos.
Enquanto esperam, muitos dos desabrigados dependem de programas como o Aluguel Social e o Auxílio Reconstrução, mas a incerteza sobre o futuro é um sentimento constante. “Chorar eu já chorei o que chega. Agora é esperar e recomeçar”, disse Liana Maria de Quadros, resumindo o sentimento de tantos gaúchos atingidos.
Fonte: Agência Brasil