Desmatamento no Cerrado cai 33% em 2024, mas ainda preocupa

Área desmatada ultrapassa o tamanho do Distrito Federal; especialistas alertam para riscos ambientais

O desmatamento no Cerrado registrou uma queda de 33% em 2024 em comparação ao ano anterior, segundo dados do Sistema de Alerta de Desmatamento do Cerrado (SAD Cerrado), do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam). Apesar da redução, a área devastada ainda é expressiva, atingindo 712 mil hectares, o equivalente a uma região maior que o Distrito Federal.

Pesquisadores apontam que essa diminuição pode estar relacionada às políticas de combate ao desmatamento implementadas recentemente. No entanto, o volume de vegetação nativa perdida continua elevado, principalmente em áreas privadas, que concentram 62% da cobertura original do bioma e possuem regras mais flexíveis para o uso do solo.

Região do Matopiba lidera desmatamento

A maior parte da devastação ocorreu no Matopiba, região que engloba partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia e que responde por 82% do desmatamento no Cerrado. O Maranhão liderou o ranking estadual, com 225 mil hectares desmatados, seguido por Tocantins (171 mil hectares), Piauí (114 mil hectares) e Bahia (72 mil hectares).

Entre os municípios, Balsas (MA), Alto Parnaíba (MA), Mateiros (TO) e Ponte Alta do Tocantins (TO) estão entre os mais impactados, acumulando juntos cerca de 61 mil hectares de vegetação nativa destruída.

Impactos ambientais e desafios na preservação

A legislação brasileira permite maior supressão vegetal no Cerrado em comparação com a Amazônia. Enquanto na Amazônia Legal a retirada de vegetação é limitada a 20% da propriedade, no Cerrado, a lei autoriza o desmatamento de até 80% das áreas privadas, o que facilita a conversão de terras para a agricultura e pecuária.

Especialistas alertam que a continuidade da degradação do Cerrado pode intensificar eventos climáticos extremos, como secas prolongadas, afetando a biodiversidade e os recursos hídricos da região. Para reduzir o ritmo da devastação, pesquisadores recomendam a adoção de políticas mais rígidas, o engajamento do setor privado e incentivos econômicos para a preservação da vegetação nativa.

Os dados completos e alertas sobre o desmatamento no Cerrado podem ser acompanhados no site do SAD Cerrado.

Fonte: Agência Brasil