Corretora de imóveis Maria de Lurdes da Costa Bueno é a 268ª vítima reconhecida; dois desaparecidos ainda não foram localizados
A Polícia Civil de Minas Gerais confirmou, nesta sexta-feira (7), a identificação de segmentos corpóreos pertencentes a Maria de Lurdes da Costa Bueno, corretora de imóveis que faleceu no rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG), ocorrido em 25 de janeiro de 2019. Com isso, o número de vítimas identificadas chega a 268.
Após seis anos da tragédia, ainda restam dois desaparecidos: Tiago Tadeu Mendes da Silva e Nathália de Oliveira Porto Araújo. As buscas continuam sendo conduzidas pelo Corpo de Bombeiros, que reafirmou o compromisso de seguir os trabalhos até que todas as vítimas sejam encontradas.
Turista de São Paulo estava hospedada em pousada atingida
Maria de Lurdes, de 59 anos, era moradora de São José do Rio Pardo (SP) e estava em Brumadinho a turismo, para visitar o Instituto Inhotim, maior centro de arte ao ar livre da América Latina. Ela se hospedava na Pousada Nova Estância, que foi completamente soterrada pelos rejeitos da barragem.
Também estavam na viagem seu marido, Adriano Ribeiro da Silva, sua enteada Camila Taliberti e seu enteado Luiz Taliberti, que viajava acompanhado de sua esposa Fernanda Damian, grávida de cinco meses. Nenhum deles sobreviveu.
Em homenagem a Camila e Luiz, familiares e amigos fundaram o Instituto Camila e Luiz Taliberti (ICLT), sediado em São Paulo. Presidida por Helena Taliberti, mãe dos irmãos, a entidade atua na defesa dos direitos humanos, cobrando respostas sobre a tragédia e preservando a memória das vítimas.
Tragédia deixou 272 mortos e danos ambientais irreversíveis
A barragem que rompeu em 2019 fazia parte de um complexo minerário da Vale, liberando uma avalanche de rejeitos que soterrou 270 pessoas – a maioria trabalhadores da mineradora e de empresas terceirizadas.
A Avabrum – Associação dos Familiares das Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem em Brumadinho contabiliza 272 mortes, incluindo os bebês de duas mulheres grávidas. Além das vidas perdidas, a tragédia destruiu comunidades inteiras e causou graves impactos ambientais na bacia do Rio Paraopeba.
Seis anos sem punição aos responsáveis
Até hoje, ninguém foi preso pelo desastre. O processo criminal foi federalizado e aguarda a apresentação das defesas dos réus. 16 pessoas foram denunciadas, incluindo executivos da Vale e da Tüv Süd, empresa alemã que assinou o laudo de estabilidade da barragem. No entanto, o ex-presidente da mineradora, Fábio Schvartsman, conseguiu um habeas corpus no ano passado e deixou de ser réu no caso.
No último dia 25 de janeiro, quando a tragédia completou seis anos, a Avabrum realizou um ato em memória das vítimas, reiterando a luta contra a impunidade. Na ocasião, foi inaugurado o Memorial Brumadinho, um espaço criado para homenagear os mortos e manter viva a lembrança do que aconteceu.
Fonte: Agência Brasil