DIZENDO ADEUS A MAURICIO COSSICH

Maurício antes de viajar para a Chapada Diamantina, onde faleceu num trágico e inexplicável acidente me mandou uma mensagem pedindo que eu não me esquecesse de reservar um volume do meu livro recém-publicado “Sob as sombras das perobas da minha terra”. Ele foi citado neste livro muitas vezes, e infelizmente, o livro não chegou a tempo para ler e entender como foi importante a família Cossich para o desenvolvimento econômico e político de nossa Cianorte, na primeira década da cidade.

Desde criança acompanhou o seu pai Gabriel Segundo de Minas Cossich e sua família na grandiosa aventura que foi desbravar Cianorte. Gabriel foi um dos pioneiros que apontou o nome de Wilson Ferreira Varella para concorrer ao cargo de primeiro Prefeito Municipal de Cianorte. Isto, lá pelos idos de agosto de 1.955, e com a concordância de outros pioneiros influentes na cidade, logo após Cianorte ser declarada município e desvinculada de Peabiru, aconteceram as eleições municipais. O pai de Maurício Cossich foi eleito Vereador e fez parte de primeira Câmara Municipal de Cianorte. Maurício, garoto, depois jovem, depois agricultor, proprietário de áreas agrícolas e de pastagem, era uma pessoa respeitada na cidade, não só por ser filho de Gabriel, mas também pela sua participação ativa na década de 60/70 no crescimento da cidade. Foi amigo de seus amigos e nunca, em tempo algum, deixou de amar a sua terra, depois que foi morar lá pelas bandas do Mato Grosso. Vinha muito em Cianorte. Participou ativamente de todas as reuniões que foram realizadas aqui, no Cianorte Clube, quando os pioneiros residentes em outros estados vinham para cá comemorar o reencontro dos velhos amigos, de infância, de escola, de igreja, jovens de festa e bailes, frequentadores do primeiro cinema e assíduos participantes dos primeiros torneios de futebol lá na Esplanada.

Maurício Cossich, 78 anos, viúvo de nossa querida amiga Nilze Telles, era um cianortense de coração e de alma e deixou seus filhos inconsoláveis com sua partida: Robson, Regina, Rosely e Maurício Júnior, e uma filha do segundo casamento.

Quem diria que com aquela vitalidade que Maurício demonstrava pudesse ir embora tão lúcido, tão amigo, tão pai e tão cedo.

Seu derradeiro desejo de morar nesta terra para sempre foi cumprido pela família. Velado rapidamente em razões impostas pelo corona vírus e foi sepultado em seguida. Sequer pudemos abraçar seus filhos e netos e dizer para eles do nosso grande sentimento de perda, cuidadosos que foram neste momento frágil de transmissão do vírus. Mas frágeis ficamos nós com esta perda irreparável e os encontros de pioneiros em Cianorte jamais serão os mesmos sem Maurício. E foi, com Deus!

Izaura Varella

Pioneira e cidadã cianortense