Os estudantes dos primeiros anos do ensino médio do Colégio São Paulo Apóstolo, em Curitiba, tiveram uma experiência diferente neste mês de junho durante as aulas de Matemática. Eles foram desafiados a produzir um material que pudesse auxiliar alunos com deficiência visual a aprender a disciplina. O objetivo da prática foi incentivar a realização de trabalhos sociais e vivenciar experiências de pessoas com deficiência visual.
A atividade resultou no projeto “Áreas das figuras geométricas numa perspectiva de inclusão”, composto por figuras de alto relevo e letras com o alfabeto Braille, que auxiliam estudantes com cegueira a perceberem altura, lados e base das figuras e, com isso, a compreenderem melhor os conteúdos matemáticos. O material será doado ao Instituto Paranaense de Cegos (IPC), de Curitiba.
O trabalho foi orientado pela professora de Matemática Patrícia Pelogia Santos. Segundo ela, o objetivo, além de reforçar os conteúdos da disciplina, foi despertar nos estudantes a sensibilidade e o voluntariado. “A ideia é que eles vivenciem experiências diferentes do que estão acostumados e que possam ter um outro olhar sobre as dificuldades e a superações de pessoas com deficiência visual”, disse a professora.
A pesquisa foi assessorada por professores do IPC para que o material estivesse em conformidade com as práticas pedagógicas e as necessidades dos alunos com deficiência visual. “Era preciso que o material pudesse ser usado pelos alunos, mas que também o professor pudesse utilizar para transmitir os conteúdos”, explicou Patrícia.
NA PRÁTICA – Depois de estudar cálculos de área, gráficos e geometria na teoria, os 175 alunos do colégio estadual assistiram a um documentário com depoimentos de pessoas cegas contando os desafios diários e como superam os obstáculos.
Eles receberam também a visita de estudantes com deficiência visual que contaram como é a rotina de estudo, além de assistirem a uma apresentação dos principais materiais de estudo, como a máquina de escrever em Braille, o computador com auxílio dos aplicativos dosvox, nvda, e mecdaysi e, ainda, a máquina de cálculo soroban. “Essa experiência contribui para que os alunos desenvolvam um olhar de empatia diante das necessidades dos demais”, disse a professora.
Após a pesquisa e a apresentação, os estudantes elaboraram um material de acessibilidade que será doado ao Instituto Paranaense de Cegos. O conteúdo será usado nos atendimentos de apoio escolar dos ensinos fundamental e médio, com cerca de 150 crianças, adolescentes e adultos. “É importante que eles conheçam e percebam que as pessoas com deficiência visual têm as mesmas potencialidades de aprender”, destacou a professora de apoio escolar do instituto, Ana Paula de Oliveira Vieira, que acompanhou e assessorou a atividade.
EXEMPLO DE CIDADANIA – A atividade proporcionou diferentes experiências aos estudantes, que presenciaram histórias de superação dos alunos com deficiência visual. “Fiquei feliz com a atividade porque sei que de alguma forma ajudamos a melhorar o aprendizado desses estudantes. Foi uma experiência muito boa, que contribui para mudar minha percepção do mundo”, disse a estudante Camile de Lara, de 15 anos, que fez o trabalho junto com sua irmã, Caroline de Lara, também de 15 anos.
Todo ano a professora desenvolve pelo menos um projeto social relacionado aos conteúdos matemáticos vistos em sala. No ano passado, os estudantes do 1° ano do ensino médio confeccionaram 26 edredons, colchas e cobertores, arrecadados pelos próprios estudantes, que em seguida foram doados à Casa de Idoso Nova Canaã, vizinha à escola. Para produzir as doações, os alunos utilizaram conhecimentos cálculos de área, gráficos e geometria.
Texto e foto: AE-PR
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