Moeda avança 0,83% em meio à aversão ao risco no exterior; Ibovespa cai pelo quarto pregão seguido e petróleo também fecha em alta
O dólar ultrapassou a marca de R$ 5,20 nesta segunda-feira (28) e fechou vendido a R$ 5,226, alta de 0,83%. Foi o maior valor de fechamento da moeda norte-americana desde 30 de março, em uma sessão marcada pelo aumento da cautela nos mercados internacionais.
Enquanto o dólar ganhou força, o Ibovespa recuou 0,26%, aos 182.991,13 pontos, registrando a quarta queda consecutiva. O petróleo também terminou o dia em alta, mas perdeu força após atingir valores mais elevados durante a sessão.
Segundo informações da Agência Brasil, com dados do mercado financeiro, o cenário externo foi influenciado pela valorização global do dólar, pela alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e pelas incertezas envolvendo as negociações entre Estados Unidos e Irã.
Dólar chega a R$ 5,226
A moeda norte-americana avançou desde o início dos negócios e superou R$ 5,22 ainda pela manhã. Ao final do pregão, o dólar comercial acumulou valorização de 0,83%, cotado a R$ 5,226 para venda.
O movimento ocorreu simultaneamente à valorização da moeda dos Estados Unidos diante de outras divisas de países emergentes. Às 17h04, o índice que acompanha o desempenho do dólar contra uma cesta de seis moedas apresentava alta de 0,05%.
Outro fator de pressão foi o comportamento dos títulos públicos norte-americanos. O rendimento do Treasury de dez anos terminou a sessão em 5,2319%, acima dos 5,181% registrados na sexta-feira (25).
Juros mais elevados em economias desenvolvidas podem aumentar a procura por investimentos considerados mais seguros e reduzir a entrada de recursos em mercados emergentes. Esse movimento tende a exercer pressão sobre moedas como o real.
Contas externas e inflação entram no radar
No Brasil, o Banco Central informou que as transações correntes registraram déficit de US$ 5,055 bilhões em agosto. Em contrapartida, o investimento direto no país alcançou US$ 7,396 bilhões no mesmo período.
O Boletim Focus, pesquisa semanal realizada pelo Banco Central com instituições financeiras, manteve em R$ 5,20 a mediana das projeções para a cotação do dólar no fim de 2026.
A expectativa do mercado para a inflação deste ano passou de 4,92% para 4,99%. Para 2027, a projeção avançou de 4,30% para 4,31%, segundo os números divulgados pelo Banco Central.
Ibovespa tem quarta queda seguida
Na Bolsa brasileira, o Ibovespa encerrou a segunda-feira com queda de 0,26%, aos 182.991,13 pontos. Durante o pregão, o índice oscilou entre 181.931,36 e 184.094,65 pontos.
Foi a quarta sessão consecutiva de perdas. Mesmo com a sequência negativa, o principal índice da B3 ainda acumula valorização de 3,14% em setembro e de 13,57% em 2026.
O desempenho negativo acompanhou o ambiente internacional. Nos Estados Unidos, o S&P 500, que reúne 500 das maiores empresas negociadas no mercado norte-americano, caiu 0,77%.
No Brasil, a valorização do petróleo ajudou a sustentar papéis ligados ao setor. Já o índice Small Caps, que reúne empresas de menor capitalização e não conta com a Petrobras em sua composição, recuou 1,2%.
Petróleo fecha em alta
O petróleo também terminou esta segunda-feira valorizado. O barril Brent para dezembro, referência no mercado internacional, avançou 0,40%, para US$ 97,83, enquanto o WTI subiu 0,21%, para US$ 92,60.
As cotações chegaram a registrar ganhos mais expressivos durante o dia. Parte da alta foi devolvida diante de informações sobre possíveis avanços nas negociações entre Washington e Teerã e de iniciativas para ampliar a oferta da commodity.
Segundo a Agência Brasil, a Arábia Saudita retomou o bombeamento pelo oleoduto Leste-Oeste, com fluxo estimado em aproximadamente 3,5 milhões de barris por dia. Os carregamentos para exportação também foram retomados no porto de Yanbu, no Mar Vermelho.
Apesar desses sinais, as restrições à navegação no Estreito de Ormuz e as tensões no Oriente Médio continuaram contribuindo para a volatilidade do mercado internacional de petróleo.
Fonte: Agência Brasil