Moeda norte-americana se aproxima de R$ 5,20 nesta quinta-feira (24), enquanto Ibovespa fecha abaixo dos 184 mil pontos; juros dos EUA, petróleo e cenário fiscal brasileiro pressionaram os mercados.
O dólar voltou a ganhar força nesta quinta-feira (24) e encerrou o pregão vendido a R$ 5,193, alta de 0,47%, aproximando-se da marca de R$ 5,20. Ao mesmo tempo, o Ibovespa caiu 0,99%, aos 183.965,91 pontos, em uma sessão marcada pelo aumento da aversão ao risco nos mercados internacionais.
Segundo reportagem de Wellton Máximo, da Agência Brasil, publicada em 24 de setembro de 2026, investidores reagiram principalmente à alta dos juros dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e ao avanço do petróleo. No Brasil, as novas projeções econômicas do Banco Central e o cenário das contas públicas também permaneceram no radar.
Dólar chega a R$ 5,20 durante o pregão
O dólar comercial começou o dia perto de R$ 5,16 e chegou a R$ 5,202 na máxima da sessão, por volta das 15h. No fechamento, ficou em R$ 5,193, acumulando valorização de 0,26% em setembro.
Apesar da alta recente, a moeda norte-americana ainda registra queda de 5,39% em 2026. No exterior, o índice DXY, que acompanha o dólar diante de uma cesta de seis moedas, avançava 0,14%, aos 101,270 pontos, por volta das 17h.
Um dos fatores de pressão foi a elevação dos rendimentos dos títulos públicos norte-americanos. O Treasury de dez anos chegou a 5,2209% no fim da tarde, ante 5,114% na sessão anterior.
Juros mais elevados nos Estados Unidos tendem a tornar os títulos norte-americanos mais atraentes e podem reduzir o fluxo de recursos destinado a mercados emergentes, incluindo o Brasil.
Banco Central vende US$ 1 bilhão
Em meio à pressão sobre o câmbio, o Banco Central vendeu US$ 1 bilhão em dois leilões de linha simultâneos. Nessa modalidade, a instituição fornece dólares ao mercado com compromisso de recompra futura, ampliando temporariamente a liquidez em moeda estrangeira.
Na quarta-feira (23), o BC havia informado que o fluxo cambial brasileiro acumulava saldo negativo de US$ 7,078 bilhões em setembro até o dia 18.
A autoridade monetária também reduziu sua projeção para o crescimento da economia brasileira. A estimativa para o PIB de 2026 passou de 2% para 1,8%, enquanto a previsão para 2027 ficou em 1,4%.
Ibovespa perde os 184 mil pontos
A Bolsa brasileira também sentiu a deterioração do ambiente internacional. O Ibovespa terminou aos 183.965,91 pontos, recuo de 0,99%, depois de oscilar entre 183.834,97 e 186.211,43 pontos.
Além dos juros norte-americanos, o forte avanço do petróleo aumentou as preocupações com possíveis pressões inflacionárias. Combustíveis mais caros podem influenciar índices de preços e, consequentemente, as expectativas para os juros.
No cenário doméstico, investidores acompanharam ainda as novas estimativas para as contas públicas. Os ministérios da Fazenda e do Planejamento reduziram de R$ 17,9 bilhões para R$ 16,1 bilhões a necessidade de contenção de despesas e elevaram para R$ 80,9 bilhões a previsão de déficit efetivo em 2026, conforme informou a Agência Brasil.
Petróleo dispara e Brent supera US$ 106
O petróleo teve forte valorização diante das incertezas envolvendo Estados Unidos, Irã e o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte mundial da commodity.
O Brent avançou 3,41%, para US$ 106,60 por barril, acumulando valorização próxima de 4% na semana e superior a 18% no mês. Já o petróleo WTI subiu 2,65%, encerrando cotado a US$ 94,61.
Os preços perderam parte da força durante a tarde diante de informações sobre possíveis negociações entre Estados Unidos e Irã para viabilizar a reabertura do Estreito de Ormuz. A ausência de uma definição, porém, manteve a volatilidade no mercado de petróleo.
A evolução da commodity continuará sendo acompanhada de perto pelos mercados, principalmente pelos possíveis impactos sobre inflação, juros e atividade econômica.
Fonte: Agência Brasil