Obesidade lidera riscos à saúde no Brasil, aponta estudo

Levantamento global publicado na The Lancet mostra que o IMC elevado superou a hipertensão como principal fator de risco para mortes e perda de qualidade de vida no país

A obesidade se tornou o principal fator de risco à saúde no Brasil. O dado aparece na análise nacional do Estudo Global sobre Carga de Doenças, publicada na edição de maio da revista científica The Lancet Regional Health – Americas, segundo reportagem de Tâmara Freire, da Agência Brasil, publicada em 15 de maio de 2026.

O levantamento mostra que o Índice de Massa Corporal (IMC) elevado passou a ocupar o primeiro lugar entre os fatores associados à mortalidade e à perda de qualidade de vida. A hipertensão, que liderou a lista por décadas, agora aparece em segundo lugar. Em seguida, está a glicemia elevada.

Mudanças no estilo de vida acendem alerta

De acordo com o estudo, o avanço da urbanização e as mudanças nos hábitos da população brasileira tiveram impacto direto nesse cenário. Nas últimas décadas, os brasileiros passaram a praticar menos atividade física e a consumir dietas mais calóricas, com excesso de sal e maior presença de alimentos ultraprocessados.

O endocrinologista Alexandre Hohl, membro da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, avalia que o país vive em um ambiente que favorece o ganho de peso.

Segundo ele, a obesidade deve ser tratada como uma doença crônica inflamatória e metabólica. O especialista destaca que ela aumenta o risco de diabetes tipo 2, hipertensão, infarto, AVC e alguns tipos de câncer.

Obesidade avançou desde 1990

A mudança no ranking chama atenção quando comparada aos dados de 1990. Naquele ano, os principais fatores de risco eram hipertensão, tabagismo e poluição por materiais particulados no ar.

Na época, o IMC elevado aparecia apenas na sétima posição. Já a glicemia elevada ocupava o sexto lugar. Em 2023, a obesidade chegou ao topo da lista, após crescimento constante, com alta acumulada de 15,3% no risco atribuído desde 1990.

Queda no tabagismo e na poluição também aparece no estudo

A comparação entre 1990 e 2023 também mostra avanços importantes. O risco associado à poluição particulada do ar caiu 69,5%.

Também houve redução expressiva, de aproximadamente 60%, nos riscos relacionados ao tabagismo, à prematuridade e baixo peso ao nascer, além do colesterol LDL elevado.

Apesar disso, o tabagismo voltou a apresentar leve alta entre 2021 e 2023, com crescimento de 0,2%, após um longo período de queda.

Ranking atual dos fatores de risco no Brasil

A lista atual dos maiores fatores de risco para mortalidade ou perda de qualidade de vida no país é liderada pelo IMC elevado. Na sequência aparecem hipertensão, glicemia elevada, tabagismo, prematuridade ou baixo peso ao nascer e abuso de álcool.

Também estão entre os dez principais fatores a poluição particulada do ar, o mau funcionamento dos rins, o colesterol alto e a violência sexual na infância. Este último fator passou da 25ª posição, em 1990, para a 10ª posição, em 2023, com aumento de quase 24% no risco atribuído.

Desafio para a saúde pública

O avanço da obesidade reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à prevenção, à alimentação saudável e ao estímulo à atividade física. Especialistas apontam que o enfrentamento do problema exige ações contínuas em escolas, unidades de saúde, ambientes de trabalho e campanhas de conscientização.

Fonte: Agência Brasil