Chuva intensa e localizada no Paraná: entenda como o Simepar mede o volume de precipitação

Sistema de pluviômetros revela diferença de chuvas em bairros vizinhos e explica fenômenos típicos do verão

Você já se perguntou por que às vezes chove no seu bairro, mas não no outro? Ou por que a previsão diz que vai chover, mas na sua casa não cai uma gota? Nesta semana, um sistema de baixa pressão trouxe grandes volumes de chuva para o Paraná e revelou o funcionamento surpreendente dos pluviômetros, aparelhos responsáveis por medir o volume de chuva.

Chuva em um bairro, sol no outro

Na quinta-feira (29), a chuva no Litoral do Paraná foi um bom exemplo de como o fenômeno é localizado. Enquanto o pluviômetro em Pontal do Sul registrou 40,2 mm de chuva em um dia — sendo 11,6 mm em apenas 15 minutos — outro equipamento, a menos de 4 km dali, em Praia de Leste, marcou apenas 19,8 mm. Em Antonina, uma estação registrou 4,8 mm e outra, na mesma cidade, 13,8 mm.

Essa variação é comum no verão, período marcado por chuvas intensas e pontuais, causadas pela combinação de calor, umidade e instabilidade atmosférica.

Mais de 140 pluviômetros monitorando o Paraná

O Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná) mantém mais de 140 pluviômetros próprios espalhados pelo estado, além de utilizar dados de outras instituições, como Cemaden, Inmet, Instituto Água e Terra e Sanepar. Os equipamentos seguem padrões da Organização Meteorológica Mundial (OMM) e passam por manutenção e calibração rigorosas.

Segundo Pedro Nazário, doutor em meteorologia e responsável pelos testes dos equipamentos, o funcionamento é simples: a chuva entra por um funil e é direcionada a uma báscula (espécie de balança). Cada movimento da báscula representa 6,2 ml de água — 10 movimentos equivalem a 2 mm de chuva.

Quanto é “muita chuva”?

A Defesa Civil classifica a intensidade da chuva com base na quantidade acumulada em 15 minutos:

  • 3,6 mm a 11,4 mm: moderada
  • 11,4 mm a 20 mm: forte
  • 20 mm a 28 mm: intensa
  • Acima de 28 mm: extrema

Para se ter uma ideia, 1 mm de chuva corresponde a 1 litro de água por metro quadrado. Ou seja, se chover 20 mm em sua rua, são 20 litros de água em cada metro quadrado do solo.

Chuva espacializada: tecnologia para quem precisa de precisão

Para setores como agricultura, energia e saneamento, saber onde exatamente choveu e quanto é essencial. Por isso, o Simepar desenvolveu o gráfico de chuva espacializada, que reúne dados de pluviômetros, radares meteorológicos e satélites. Essas informações alimentam a plataforma Simeagro, voltada para produtores rurais por meio de cooperativas.

Chuva de verão exige monitoramento constante

No verão, a rápida mudança de condições atmosféricas, o relevo, o tipo de vegetação e até o concreto das cidades influenciam a formação de nuvens e chuvas. O monitoramento preciso e em tempo real feito pelo Simepar é crucial para alertas à população e para o planejamento em áreas como agricultura, abastecimento de água e prevenção de desastres naturais.

Quer saber quanto choveu no seu bairro? Acesse o site do Simepar e acompanhe os dados em tempo real. Em um verão de extremos, a informação pode fazer toda a diferença.

Fonte: Simepar