SP realiza cirurgia inédita para tratar arritmia e prevenir AVC na rede pública

Procedimento duplo combina ablação cardíaca e implante que dispensa anticoagulantes

O Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), em São Paulo, realizou um procedimento inédito na saúde pública brasileira: uma cirurgia dupla que trata arritmia cardíaca e, ao mesmo tempo, previne o Acidente Vascular Cerebral (AVC). O procedimento é voltado especialmente a pacientes com contraindicação ao uso de medicamentos anticoagulantes.

A intervenção combinou duas técnicas avançadas: a ablação por radiofrequência termomodulada, que trata a arritmia ao cauterizar pontos irregulares nas veias pulmonares ligadas ao coração, e o implante de um dispositivo para ocluir o apêndice atrial esquerdo, região que pode acumular coágulos e provocar AVCs.

O diferencial da abordagem está na realização simultânea dos procedimentos, reduzindo o tempo de internação e otimizando os resultados. A cirurgia dura até seis horas e a alta médica pode acontecer em apenas três dias. Segundo o HSPE, a eficácia ultrapassa os 98% e os benefícios são sentidos rapidamente, especialmente no controle da arritmia.

A operação é considerada minimamente invasiva, realizada com a introdução de cateteres pela virilha. O mesmo acesso é utilizado tanto para o procedimento de ablação quanto para a colocação do dispositivo de oclusão, chamado Watchman FLX, da Boston Scientific. Já os cateteres de ablação são fornecidos pela farmacêutica Abbott.

De acordo com o Dr. José Marcos Moreira, chefe do setor de arritmia cardíaca invasiva do HSPE, a novidade representa um avanço importante na qualidade de vida dos pacientes. “É uma operação com dois benefícios, o fim dos desconfortos das arritmias cardíacas e dos riscos de AVC para essa população”, destaca o especialista.

Para avaliar os candidatos ao procedimento, o hospital criou uma comissão multidisciplinar, o “Heart Team”, composta por clínicos, cardiologistas e médicos intervencionistas. Entre os integrantes estão os doutores Werlley Januzzi, George Cesar Gimenez, Rodrigo Daghlawy, José Marcos Moreira e Ney Valente.

A fibrilação atrial, tipo de arritmia tratada pelo procedimento, é uma das principais causas de AVC em idosos, especialmente aqueles com hipertensão e diabetes. O tratamento convencional envolve o uso contínuo de anticoagulantes, que nem todos os pacientes podem utilizar por risco de sangramento ou outras condições clínicas.

Com mais de 1,3 milhão de beneficiários, o Iamspe – Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual – reforça com este procedimento seu papel como referência em inovação na saúde pública. A rede, vinculada ao Governo de São Paulo, está presente em mais de 160 municípios, oferecendo uma ampla estrutura de atendimento.

Fonte: Iamspe / Governo do Estado de São Paulo