COMO NASCEU O AEROPORTO “GASTÃO VIDIGAL” DE CIANORTE

Assim como a chegada da estrada de ferro data antes da inauguração de Cianorte, o aeroporto municipal foi fruto de planejamento da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná e foi construído também antes da fundação de Cianorte. Estas eram as duas condições necessárias para o acompanhamento das obras que mais tarde iam aflorar como nossa querida cidade de Cianorte. A região do Aeroporto “Gastão Vidigal” já estava desmatada e no início de 1.953 a Companhia contratou a empresa França Simões para a construção da pista e do abrigo, dentro dos padrões obrigatórios que o D.A.C – Departamento de Aviação Civil exigia para o pouso com segurança das aeronaves. O campo de pouso foi construído sob a homologação do D.A.C para pouso de aeronaves comerciais e transporte coletivo. Esta construção terminou em março de 1.954, e, curiosamente, o primeiro abrigo de madeira, que hoje não existe mais, teve a efetiva participação do trabalho dos carpinteiros Antonio de Rodrigues Mota, que mais tarde foi o segundo prefeito municipal de Cianorte e o senhor Miguel Alves Sena. Esta construção singela estava localizada no ponto mais alto junto ao atual ‘redondo’ na chegada ao aeroporto e era um local de espera para o pouso das aeronaves. Tinha um banco simples de madeira e uma varanda aberta voltada para a pista do aeroporto. A pista do aeroporto foi construída com 1.600 metros de comprimento e 60 metros de largura, juntamente, com um sistema de canaletas laterais de madeira impermeabilizada destinadas a proteger a pista de alagamentos e erosões.

No dia 26 de julho de 1.954, no primeiro aniversário de fundação da cidade, o aeroporto já estava funcionando. O avião “Bonanza” da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná trouxe a bordo Dr. Hermann Moraes Barros, que estava em Maringá, para o campo de pouso de Cianorte, cujo piloto era Vitor Neurben. Pouco depois do avião “Bonanza” aterrissar, chegava também o avião da Força Aérea Brasileira, BT-15, pilotado perlo Tenente Aviador Eduardo da Silva Ramos, da Base Aérea de Curitiba, que aterrissou nesta data para inspecionar e fazer o laudo de vistoria para a futura homologação do campo, cujas características técnicas eram as melhores possíveis e que permitiam também o pouso de aviões comerciais e aviões DC-3. Neste dia e neste local foi assinado o Termo de Homologação e o Laudo de Vistoria do Aeroporto Gastão Vidigal, e, como não havia mesa no local, foi assinado em cima do profundor do avião BT-15, da Força Aérea Brasileira.

O Padre Aloisi Jacob de Peabiru, S.V.D., eis que Cianorte pertencia àquela comarca, procedeu a benção do campo; o Presidente da Companhia Dr. Hermann usou a palavra para falar dos programas de colonização da companhia que seriam executados no futuro. Além dele estavam presentes Dr. Paulo de Moraes Barros, sua esposa Helena Rocha da Cunha de Moraes Barros, Dr. Alfredo Nyffeler, Virgilino Ferreira Varella, com apenas 14 anos, seu pai Wilson Ferreira Varella que seria o primeiro Prefeito Municipal de Cianorte e sua esposa Luiza Lúcia Ruffini Varella, Antonio Rodrigues Mota entre outros. Os moradores da cidade presentes puderam desfrutar de uma oportunidade única, ao ver as belas evoluções nos céu do aeroporto. Estes aviões do Aeroclube de Maringá eram pilotados por Silvio Barros, Primo Monteschio e a piloto Barbara Bueno que despertou a curiosidade de todos por ser uma mulher.

Tempos bons… Tempos de contar histórias.

Izaura Aparecida Tomaroli Varella