O deputado federal Zeca Dirceu (foto) tem 35 anos e é um dos políticos de destaque da “nova geração”. Dinâmico, cheio de ideias e ideais, enfrenta a morosidade tradicional do sistema político em Brasília com muitas ações. “Tenho projetos meus tramitando a passos de tartaruga lá”, brinca.
Ele nasceu em Umuarama, mas se declara um pouco cianortense também. Está sempre presente na cidade, tem bom relacionamento com políticos locais e tem boas novidades com verbas e investimentos para os cianortenses. Sem contar o vínculo com a confecção, setor que a família tem negócios e ele defende pelo Brasil na Frente Parlamentar em Defesa do Setor Têxtil de Confecção.
Zeca Dirceu foi prefeito de Cruzeiro do Oeste em duas gestões, já atuou no governo estadual como chefe da regional de Umuarama da Secretaria de Trabalho do Paraná, teve destaque em associações de municípios da região e foi eleito em 2010 para deputado federal com quase 110 mil votos. O deputado é graduado em Ciências da Computação, pela Unipar, e está sempre ligado na internet, em contato com suas equipes técnicas ou ele mesmo atualizando seus perfis em redes sociais. O deputado federal Zeca Dirceu está na coluna Entrevista Especial dessa semana:
ENTREVISTA
FOLHA DE CIANORTE – Existe conflitos e ciúmes de uma cidade para outra da região em relação a sua atuação?
ZECA DIRCEU – Eu não vejo muitos assuntos conflitantes entre as cidades que eu tenho atuado. Eu não sou de Curitiba, não sou de Cascavel, não sou de Maringá, não sou de Londrina. Se eu fosse deputado federal e morasse nessas cidades, aí sim eu acho que teria muita dificuldade. Essas cidades demandam muita energia porque os desafios, as bandeiras são muito grandes e temas conflitantes. Acho que os temas aqui para Cianorte, Cruzeiro do Oeste e outras cidades médias da região, são comuns e dá para tratar todos eles na mesma ação parlamentar. Eu nunca tive nenhuma dificuldade, nunca fiquei em nenhuma “saia justa” entre as cidades. O governo federal tem ações muito amplas que permite contemplar de maneira significativa todas as cidades que eu atuo.
Você tem a preocupação de fazer tipo um rodízio, sobre recursos entre as cidades?
Da minha agenda, do meu tempo disponível, aí eu acabo fazendo uma organização mais metódica para que eu esteja presente em todas as cidades e regiões de uma maneira constante e uniforme. Eu tenho essa preocupação. Dos recursos não dá para fazer isso porque depende da iniciativa local. Tem cidades que o poder público tem mais capacidade, mais necessidade e acaba propondo, pedindo mais e recebe mais investimento. Eu não acho justo e correto fazer comparação de investimentos de uma cidade para outra porque se compara realidades diferentes. Uma cidade recebe mais recursos não porque ela tem mais prestígio político. É porque ela, às vezes, precisa mais ou porque no passado ela recebeu muito pouco. Então, acumulou uma carência grande de investimentos para acontecer. Cianorte, por exemplo, há muitos anos não tem uma grande necessidade de pavimentar novas ruas e avenidas. Porque no passado o município teve grandes investimentos, inclusive com recursos próprios.
Cianorte está no centro de um triângulo de atuação bem significativa do PT: você na região de Cruzeiro do Oeste, o Ênio Verri em Maringá e o Beto Vizzotto em Paraíso do Norte. Apesar disso, Cianorte não tem representatividade do PT pelos problemas com Maurício Velasco. Como você avalia isso?
Quem dirigiu o partido aqui nos últimos tempos, cometeu uma serie de erros, equívocos que atrapalharam o partido que tinha militância e simpatia da população para eleger até três vereadores. Mas, quem estava dirigindo não conseguiu organizar isso. Eu acho que é um problema passageiro. O PT já teve vereadores aqui, o Toninho desempenhou um mandato muito bom e seria, facilmente, reeleito. Foi uma decisão pessoal dele e acabou não disputando a reeleição. Tenho certeza que em 2016 o PT voltará a ter vereadores e uma representação política local mais forte. Me considero parte do PT de Cianorte. Estive aqui há mais de dez participando de eventos, ajudando a filiar lideranças, a organizar o PT, a preparar o partido para as eleições. Fiz dobradinha com o Toninho em 2002 com ele a deputado estadual e eu para federal, com objetivo de construção partidária. Me sinto parte da história do PT em Cianorte. O partido tem sim pessoas honradas. Além do Toninho tem outras lideranças também que são respeitadas pelos empresários, agricultores, por lideranças de outros partidos. Eu confio muito ainda no futuro político do PT aqui. Esse momento de dificuldade é passageiro. É fruto único e exclusivamente de equívocos e erros cometidos nos últimos anos. Para mim é uma página virada. A Justiça e os meios de Comunicação e os fatos da vida dessas pessoas provaram que não tinham a mínima condição de estar aqui. Eu já havia alertado o diretório estadual sobre isso. Às vezes, até não acreditavam nos meus relatos que eram bem problemáticos. Mas, depois perceberam que havia um problema aqui. Mas agora estamos organizando uma nova provisória, inclusive com a participação do Ênio Verri, que é o presidente estadual do partido. Estou muito otimista quanto ao futuro do partido aqui em Cianorte. O PT elegeu vereadores em Campo Mourão, Paranavaí, em Umuarama, Cruzeiro do Oeste temos três vereadores… não há razão para que isso não aconteça aqui em Cianorte. Logo teremos uma nova direção aqui e participará da campanha de 2014 para a Dilma, Gleisi e a minha também e vai se preparar para 2016 para ter uma participação mais efetiva e coerente na cidade.
O governo Beto Richa não passa por um bom momento. Você acha que isso facilita a campanha da Gleisi Hoffmann?
O momento que passa o governo é péssimo! É inacreditável pensar que o Paraná, um estado rico, que produz muito, está passando por uma vergonha como a gente tem passado. O nome do Paraná tem sido publicado nos principais veículos de Comunicação do Brasil como caloteiro! Um estado que não paga seus compromissos básicos do dia a dia. O Paraná deve mais de R$ 1 bilhão para fornecedores acumulados nos últimos meses. É uma coisa inacreditável… Quem está ocupando o comando do estado precisa urgentemente prestar contas e dar satisfação para a população porque isso aconteceu. A nossa alternativa começa com mudanças de comando. Nós vamos propor que a Glesi seja governadora do nosso estado. Até pelo que ela provou na Casa Civil durante mais de dois anos. Ela conseguiu sobreviver numa função no governo federal que sempre foi problema. Ela é querida pelos paranaenses. Vamos despertar atenção das pessoas que foram três anos perdidos. O país está bem, a economia vai bem. Não tem porque o Paraná ir mal. Cianorte é um exemplo disso. O Paraná nunca foi teve tanto investimento do governo federal como agora.
Na pré-candidatura tem o Requião comentando na internet para sair candidato. Para vocês seria bom ter o Requião numa coligação?
O apoio do PMDB é muito importante. Vamos trabalhar muito para que isso aconteça. Mas é importante o apoio de outros partidos que formam a base também do governo da presidenta Dilma. É o PDT, o PV, o PCdoB, e há partidos como PP, PTB, PL, o PST, há negociações e conversas. Fazer qualquer previsão sobre o PMDB é arriscado. Acho que nem eles sabem o que vai acontecer porque o partido está dividido em grupos distintos, cada um quer uma coisa diferente… acho o que vai acontecer entre fevereiro até julho, o desempenho nas pesquisas, as dificuldades financeiras que o estado está enfrentando, os investimentos que o governo fará no Paraná, serão determinantes para dizer com quem o PMDB fica. Temos pelo Requião um respeito muito grande. É legítimo que ele queira disputar a eleição. Mas, nós temos a situação nacional que nos favorece que é a aliança já consolidada entre PT e PMDB. O Michel Temer é novamente o candidato que vai disputar a eleição como vice da Dilma. Isso vai influenciar na decisão do PMDB. Mas, ainda é incerto.
A sua família também atua na confecção. O setor vive de ciclos, ora bem, ora com os empresários reclamando. O que fazer para que o vestuário tenha uma estabilidade e fique sempre bem?
Primeiro eu sou apaixonado por esse setor que tem uma relação direta com a minha vida. Eu nasci e cresci dentro de uma indústria de confecção. Minha mãe tem uma indústria há mais de 40 anos. O pólo de confecção de confecção de Cianorte naquela época nem existia. Tanto é que ela começou lá em Cruzeiro do Oeste e também teve loja aqui. Eu tenho defendido esse setor. Tive a honra de ser escolhido pelos deputados federais e estaduais para coordenar aqui no Paraná a Frente Parlamentar em Defesa do Setor Têxtil de Confecção e ser escolhido lá no Congresso Nacional para ser o vice-líder dessa frente. Houve avanços na questão do crédito, redução de juros e impostos. Tem uma luta muito difícil e eu vou continuar insistindo nela que é o comércio exterior, produtos importados, as importações ilegais. Eu propus alguns projetos de lei que estão avançando nesse sentido para coibir a importação ilegal. E estamos apelando ao governo federal, Ministério da Indústria e Comércio, Ministério da Fazenda, Ministério das Relações Exteriores para que se tenha uma espécie de salva guarda para produtos têxteis de confecção importados. Isso já aconteceu com os brinquedos, com os calçados. Não é uma luta fácil. Não se resolve do dia para a noite.
Houve um empenho do governo estadual e de segmentos da região pela PPP para duplicação da PR-323. Você acha que finalmente vai resolver essa questão para parar com acidentes e mortes nessa rodovia?
Eu acho que o governo do estado deve explicações à região. O governo federal acabou de conceder somente à iniciativa privada a rodovia BR-163, que vai de Guaíra até o Mato Grosso do Sul, o pedágio lá a cada 50km vai custar R$ 1,90. A rodovia será duplicada apenas por uma empresa privada e não vai ter dinheiro público do governo. Por que aqui na PR-323, de Guaíra pra cá, com mesmo fluxo e característica geográfica, para duplicar a rodovia vamos ter que pagar um pedágio em torno de R$ 4? E ainda com dinheiro público?! E eu nem sei se o estado vai ter esse dinheiro. Algo tá errado aí. Eu tô preocupado e tenho alertado as lideranças aonde vou. Por que não fazer o modelo do governo federal que está dando certo e não começou agora? O Paraná pode voltar uma época de equívocos, coincidentemente do PSDB, quando o Frenando Henrique governava o país e no caso Jaime Lerner aqui. Hoje a gente amargura rodovias pedagiadas há quase 20 anos sem duplicação e com pedágios mais caros do mundo. Alguns lugares a R$ 12, o que é uma vergonha.
Em relação a prisão do seu pai [José Dirceu], como está a situação para vocês da família?
Eu sou filho, né… amo meu pai, tenho uma paixão enorme por ele, como é qualquer relação de pai e filho. Não tenho condição de me deslocar do sentimento emocional de filho para fazer qualquer tipo de julgamento, de avaliação do que meu pai já passou e do momento que ele tá vivendo. Posso dizer que estou sofrendo muito. Para a minha família é um momento de muito sofrimento. Procuro visitar ele constantemente, é minha obrigação de filho. O que tenho feito é ter fé em Deus, preparar bastante o espírito e enfrentar. E o melhor jeito é trabalhar bastante, honrar o meu mandato. Apresentar coisas boas aqui para a região para que as pessoas vejam a política de uma maneira diferente que a televisão tenta convencer as pessoas. Que política não presta, que é tudo ladrão. Fui prefeito duas vezes e não tem uma denúncia, processo… todas as minhas contas foram aprovadas, tive uma relação com o Ministério Público muito transparente. O que a gente percebe hoje do Judiciário e postura do STF, principalmente do presidente Joaquim Barbosa, é dois pesos e duas medidas. E um exemplo é há mais de dez anos está lá a denúncia do Mensalão que começou com o PSDB, em Minas Gerais, que sequer foi julgado. Isso é uma vergonha! A justiça não pode ter dois pesos e duas medidas. O que ele fez comigo agora, por exemplo, … ele mandou colocar na pauta do Supremo Tribunal Federal como prioridade processos contra petistas que poderiam ser candidatos nessas eleições. Eu, o Lindbergh Farias, que é senador e deve ser candidato a governador pelo PT no Rio de Janeiro. Então, isso fica evidente que há uma perseguição política. Pra minha sorte o meu advogado foi muito competente, foi caso de uma armação mequetrefe que fizeram em Campo Mourão, em 2010, quando eu estava fiscalizando o processo eleitoral. Ficou comprovado depois nos autos, por testemunhos de mesários, dos dois policiais que me prenderam, que disseram que me prenderam sem saber por que. Simplesmente porque um promotor, numa armação feita com o PPS, adversário nosso local e nacional. Será que o Brasil não tem mais nada de importante que julgar um caso de uma armação que foi feita em 2010, numa suposta boca de urna que nunca existiu? Por julgar um caso desse prova que há uma armação contra lideranças do PT. Eu fui absolvido por unanimidade, de tão absurda que era aquela denúncia.
Texto e foto: Andye Iore / Folha de Cianorte
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