Poema de um internauta que não é Chico Buarque de Holanda
Tramou todo o poder como se fosse um déspota
Traiu sua nação como se fosse lúdico
E cada eleitor seu como se fosse estúpido
Saiu em caravana com seu ranço cínico.
Se disse um semideus como se fosse Thanatos
Blasfemou sobre o caixão como se fosse vítima
Propina com propina num esquema sórdido
Seus cornos entupidos de dinheiro e pânico.
Armou pra se safar como se fosse em Nápoles
Roubou e fez roubar como se fosse um gângster
Bebeu e galhofou como se fosse pândego
Mentiu e articulou como se ouvisse Lúcifer.
E se tornou réu como se fosse mísero
E praguejou aos céus como se fosse íntegro
E se arrastou no chão com seu caráter flácido
Ameaçou a corte num escárnio máximo.
Que morra na prisão contrariando os céticos!
Chico Buarque de Holanda não tem nada a ver com este poema. Ele, originalmente, escreveu a letra de uma música chamada Construção, gravada em 1971. Na verdade ele conta a vida de um trabalhador na construção civil, com a cadência das palavras proparoxítonas ao longo da letra. É uma metáfora escrita durante o governo militar e simula a morte de um trabalhador, como crítica social, como se a morte dele fosse um descarte.
Agora passados trinta anos vem um internauta e de uma maneira singular escreve o poema acima (Des)Construção, e desconstrói mesmo a imagem do desvalido construtor civil e coloca outro desvalido em seu lugar. Assim, ponteio:
“Eu já acreditei no desvalido mórbido
Confiando em seu caráter íntegro
Desconstruiu meus sonhos que ficaram míseros
Que agora minha Pátria não se mude em sórdida!”
Izaura Varella
Em 14 de outubro de 2018