Estar a 2.300 metros de altura acima do nível do mar, numa cidade metropolitana que reúne 30 milhões de habitantes é indescritível. Encontramos pelas ruas as mesmas pessoas, que levantam cedo e vão para o trabalho, pessoas que estudam, universidades que completam a formação de pessoas, curiosidades turísticas, carros e carros pelas ruas e avenidas, uma cidade cercada de montanhas que não permite que a poluição suba acima das montanhas e se dilua em outros ares. Olhando a Cidade do México do alto das montanhas: Serra Madre Oriental e Serra Madre Ocidental significa contemplar a poeira suspensa, amarelada, azul, esfumaçada, abaixo das montanhas. Tem manhãs que não se contempla a cidade tamanha é a névoa poluída. Entretanto, a cidade é belíssima e com muitos costumes diferentes dos nossos. Comer pepino apimentado no café da manhã não tem preço, tem-se que experimentar tudo, para conhecer os exóticos costumes.
Há caminhos que conduzem às pirâmides astecas, há caminhos que penetram nas montanhas, há caminhos que nos levam próximos de um vulcão ativo Vulcão Popocatepeti, que fica incomodando e surpreendendo a gente, soltando aquela fumacinha constante, há caminhos que conduzem a Teotihuacan “cidade dos deuses”, habitada desde 600 anos A.C., há caminhos que nos levam a Taxco, onde estão as minas de prata, a Cuernavaca, a Cholula, à Puebla, maravilhosa Puebla, enfim há caminhos até conduzem à Nossa Senhora de Guadalupe.
A Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe homenageia a Padroeira da América, sobretudo, do México inteiro como país. A história da aparição da Virgem de Guadalupe, no sopé da Colina de Tepeyac, ao norte da Cidade do México, a um índio convertido chamado Juan Diego é um misto de ingenuidade, um misto de graça e de fé para aqueles que acreditam na Virgem. Em 1531, a Virgem apareceu no sopé desta colina, enquanto o índio Diego ia para a catequese e para assistir a Santa Missa na capital. Ela lhe disse que fosse até o Bispo e pedisse que ali deveria ser construído um santuário para honra e glória de Deus. O Bispo cauteloso resolveu pedir um sinal para Virgem e na terceira aparição isto aconteceu. O índio Juan Diego saiu para buscar um sacerdote para seu tio que estava doente e a Virgem lhe disse: “Escute, meu filho, não tema esta doença, nem qualquer outro dissabor ou aflição. Afinal não estou aqui ao seu lado? Eu sou a Mãe dadivosa. Acaso não o escolhi para mim e o tomei aos meus cuidados? Quanto à doença de seu tio não é mortal, ele já está curado. Filho querido, essas rosas são sinal que você vai levar ao Bispo. Diga-lhe em meu nome que você é meu embaixador e quando chegar diante dele, descobre a sua “tilma” (manto), mas nó na sua presença e mostre-lhe o que carrega.” Chegando ao Bispo, o índio Juan contou tudo a ele e descobriu seu manto de rosas e o prelado não viu somente as rosas mas o milagre da imagem de N.Sra.de Guadalupe pintada no manto do humilde indígena. Era o dia 12 de abril de 1531 e o Bispo caiu em lágrimas.
O grande milagre acontece até os dias de hoje naquele manto de 1531, que está estendido dentro da Basílica. Feito de matéria grosseira de fios de cacto, que dentro de vinte anos estaria todo diluído, ele permanece intacto há 4 séculos e meio. Durante 16 anos a imagem pintada no manto esteve totalmente desprotegida, nunca sendo retocada e a pintura permanece a mesma até os dias de hoje. Em 1971, inadvertidamente alguns peritos deixaram cair ácido nítrico no manto e nem a força do ácido corrosivo estragou a imagem.
A aparição da Virgem de Guadalupe registrou sua história em todo o México, tornou o espírito de seu povo religioso e tornou-se um local de peregrinação. Viajar pelo mundo e ir ao encontro de histórias ricas como esta é também um presente de Deus!
Izaura Varella