“Temos gestão de crescimento sustentável”, diz prefeito Bongiorno

bongiorno5O prefeito de Cianorte, Claudemir Bongiorno, 56 anos, avalia como positivo seu primeiro ano de mandato na prefeitura de Cianorte. E também celebra o bom desempenho da empresa que é sócio, Avenorte, depois de enfrentar um mercado em crise em 2012. Mesmo com esse retrospecto, ele não foge de falar dos problemas da cidade e encara as críticas dos adversários com sensatez. “Não se pode ser contra por ser contra”, considera. “Tem que ter uma ideia melhor, senão deve acompanhar o que está sendo implantado”. E lista uma serie de ações e projetos, resultando no prêmio de Gestor Público recebido em Curitiba no começo desse mês pelo projeto de Desenvolvimento das Agroindústrias Familiares. “Não esperava receber esse prêmio. Mas foi uma somatória de boas ações em Cianorte”, avaliou o prefeito.

A história de vida de Bongiorno é incomum. E ele lembra com detalhes dos “perrengues” passados: “Um homem que era da cidade de São Tomé, boia fria, vai para Curitiba em 1975, fica dois dias embaixo de um viaduto sem ter para onde ir e sem ter o que comer, vai trabalhar de servente de pedreiro na Petrobrás, no Rio de Janeiro, volta pra Cianorte, vai puxar soja em Mamborê e não dá certo, só com o ginásio, faz um teste no Banco Mercantil e passa, fica nove anos e sai do banco para montar uma máquina de arroz e depois monta um abatedouro com sócios. E isso virar o que virou e o que eu sou hoje [emocionado]. Acho que eu não sirvo de exemplo porque igual a essa história são poucas. Acho que eu tinha uma missão para cumprir”.

Bongiorno encerra a serie de entrevistas da coluna Entrevista Especial em 2013. Ele anuncia planos para 2014, inclusive com projetos audaciosos, fala de seu futuro político, dos problemas no vestuário, entre outros assuntos.
(Texto e fotos: Andye Iore)

ENTREVISTA
FOLHA DE CIANORTE – Que avaliação que o senhor faz desse primeiro ano?
BONGIORNO – A avaliação é positiva. Reduzimos a passagem de ônibus, mudamos a Câmara de Vereadores de local, deixamos o PA aberto 24 horas, preparamos terras para os pequenos produtores, fizemos recapes, estamos terminando capela mortuária em São Lourenço e Vidigal e inauguramos obras que vinham sendo executadas deste a gestão do Edno Guimarães como o Corpo de Bombeiros. São muitos ganhos para a população de Cianorte.

O senhor teve bom desempenho como vereador. O que é diferente em ter que lidar com os vereadores agora?
É bem diferente. O aprendizado que eu tive em 12 anos como vereador foi muito importante. Porque a gente entende a necessidade do vereador que tem uma ansiedade muito grande em atender a população. Até os projetos mais polêmicos foram aprovados com algumas emendas que nós respeitamos. Também respeitamos aqueles que votaram contra quase todos os nossos projetos por ser oposição.

Teve uma tentativa de cassação e muitas críticas de vereadores da oposição. Como o senhor analisa isso?
Acho que nesse sentido nós perdemos um pouco de tempo. Porque nós fomos depor sobre coisas que não devíamos, tanto é que foi arquivado o processo de cassação e alguns vereadores e partidos se aproveitaram disso. Se iludiram, se empolgaram com a possibilidade do Bongiorno ser cassado. E, lamentavelmente, perderam tempo. Mas, ainda bem que prevaleceu a verdade. Nós tivemos tranquilidade para colocar a nossa diretriz de trabalho.

Como o senhor lida com os vereadores de oposição votarem contra os projetos sem questionamentos embasados?
Eu vejo com naturalidade porque isso não é só em Cianorte. Tem na Assembleia e no Congresso. Em Cianorte tem pessoas que são contra o Bongiorno e influenciam certos vereadores a votarem contra. Eu acho que vereador deveria ter a sua personalidade e não ser induzido. Principalmente por pessoas que vieram para Cianorte e não tem nada para dizer por que veio, para onde vai, por que está aqui. Eu entendo que Cianorte é maior que os vereadores, que o prefeito, é maior que todos nós e tem que se pensar no futuro da cidade.

O que passa pela cabeça do senhor quando recebe críticas por reajustes em taxas da prefeitura, sendo que o faturamento da sua empresa é muito maior que a arrecadação da prefeitura?
É interessante essa pergunta… A população de Cianorte é exigente. Aqui é uma cidade bonita, organizada, tem povo bonito, com ruas bem varridas, arborizada, canteiros roçados, … Mas, isso tem custo. Então nós temos que arrecadar. Se pegar o valor venal dos nossos imóveis, estamos com 30 ou 35% do valor real. Então, não é possível mais manter uma máquina com essa arrecadação. O que precisa ficar claro é que hoje precisa ter servidor capacitado, a tecnologia exige que ele se qualifique. E ninguém mais vai trabalhar no município para ganhar R$ 2 mil. Tanto é que demos 12% de aumento não foi para fazer bonito e agradar funcionário. Estava muito defasado. As pessoas não tem noção do que a gente vive. A gente tem uma empresa hoje que é referencia no Brasil, lutamos tanto pra isso e eu sou um dos fundadores. Nós pagamos  imposto pro município. Não fico chateado, mas preocupado com a falta de informação das pessoas. Tem gente que ainda tem na cabeça que o Bongiorno tá aqui na prefeitura por dinheiro ou por vaidade. Estou aqui para prestar serviço para a minha cidade. Porque, graças a Deus, eu tenho uma continuidade e quero contribuir. As pessoas falavam em cassar o prefeito, achavam que acabariam com o Bongiorno. Se me cassassem injustamente, eu tinha o que fazer. E o que a gente mais lamenta é que muitas pessoas que mais criticam, são pessoas que mais devem impostos atrasados. Acho que preenche um vazio do que não conseguiu em suas vidas, criticando outras pessoas. Mas Deus já me deu bastante experiência e eu estou com a minha consciência tranquila. E há pesquisas que mostram que a nossa aceitação está maravilhosa. Queiram ou não, teremos uma gestão de crescimento sustentável. E já ficou claro que o Bongiorno não é o prefeito de jeitinho. Cada um arca com a sua responsabilidade e vamos seguir o que está na lei.

No vestuário há empresas que vão bem, outras quebram, tem empresa que vai pra Maringá, outras crescem aqui. Como o senhor avalia a confecção agora em Cianorte?
A confecção é muito importante para Cianorte. Temos em torno de 20 mil pessoas trabalhando na indústria da confecção, mais de mil pessoas nos shoppings, fora o comércio. Sempre vai ter pessoas deixando sua atividade e pessoas abrindo sua atividade na confecção. É natural. Quando as pessoas falam que alguma empresa vai para Maringá, é como se fosse o prefeito culpado. O comerciante está procurando ganhar dinheiro e isso é natural. Como outros empresários que tentaram ganhar dinheiro em Cianorte e não foram felizes. Mas aqui nós temos uma qualidade de fabricação que é inigualável. Nós repassávamos em torno de R$ 160 mil para divulgar a confecção e passamos para R$ 300 mil no ano. E tem gente que acha que tinha que dar mais. Mas, será que se desse R$ 400 mil ninguém saía da Cianorte para Maringá? E se desse R$ 500 mil ia vender mais e ninguém ia falir? Acho que o pessoal está contente com a confecção, vendendo mais que os últimos anos. É preciso deixar claro que não é a prefeitura que vai salvar a confecção. Nós somos um a mais. O prefeito não vende, não compra e não fabrica. Tem empresas que foram e já voltaram. E acontecerá novamente. Eu não gosto que digam que se não ajudar a confecção vai quebrar. Cianorte não tem como ajudar só confecção. E as outras indústrias que não recebem ajuda? E a construção civil que tem dado uma alavancada espetacular no município, que benefício está tendo? Pelo contrário, tem uma dificuldade imensa de aprovar projeto no Corpo de Bombeiros, de alvará. E, mesmo assim, está sobrevivendo. A confecção é importantíssima, mas cada um tem que fazer sua parte. Ano que vem vamos continuar investindo no segmento confecção.

Qual o seu sonho para Cianorte, independente de ser o prefeito ou não?
Acho que Cianorte tem que expandir nas suas laterais que tem muito espaço. O trânsito é um desafio enorme. Vamos municipalizar para depois fazer regulamentação. E isso não se faz da noite para o dia. Mas, não vamos nos iludir. Maringá é regulamentado. E já aconteceu de eu passar pelo lugar quatro vezes e não conseguir estacionar. O trânsito é um desafio pro mundo. Antigamente não tinha muitas caminhonetes. Hoje tem muitas nas ruas e com uma pessoa só dentro. Antigamente as famílias andavam de Fusca, Fiat 147. Acho que já passou da hora de fazer carros pequenos para duas pessoas.

Se o senhor tivesse que decidir seu futuro político hoje, qual seria?
Se conseguir, teremos uma grande Câmara. E também um grande teatro junto com a Casa da Cultura, Museu da Confecção, Centro de Eventos, tudo junto pra chamar a atenção mesmo. E se eu conseguir construir um hospital em Cianorte com 120 leitos, talvez eu nem saia candidato porque realizo meu sonho. Mas depende também das pessoas que vão concorrer. Se tiver gente com aptidão, eu não vou ficar brigando politicamente. Daqui a três anos, preciso ver se estarei com saúde e com vontade de fazer algo. Ver o que eu fiz, se fui útil, valeu a pena para mim.  E tem que ter valido a pena para os 75 mil habitantes dessa cidade maravilhosa.

PLANOS PARA 2014
• SAÚDE – Temos que construir a nossa UPA. E vou planejar um hospital com 120 leitos.

• AGRICULTURA – atender mais ainda o pequeno produtor rural. Quero fazer o teto solidário rural. Tem muita gente na área rural que mora numa casinha muito humilde e não foi contemplado com benefícios porque já mora em uma casa. Então nós precisamos ajudar essa família que tem necessidades.

• EDUCAÇÃO – Tem dois centros de educação infantil, tem uma escola técnica que será muito importante para Cianorte. O plano de cargos, carreira e salários dos professores entra em prática em fevereiro.

• TRANSPORTE – Vamos municipalizar o trânsito e implantar estacionamento rotativo. Olha a passagem de ônibus, esse ano seria R$ 2,50 em Cianorte e todo ano há aumento. Vamos considerar que a passagem iria até R$ 2,70. Mas, hoje estamos mantendo a R$ 2. Será que vamos ter recurso para manter a R$ 2 ou teria que fazer um reajuste? Essas coisas também serão administradas em 2014.

• SOCIAL – A partir de 2014, as famílias de baixa renda que consumirem até 10 mil litros de água mensalmente, não pagarão mais a conta de água porque o município vai bancar isso. Já estamos cadastrando as casas mais humildes.

• HABITAÇÃO – Conseguimos essa semana, já vínhamos conversando com o governo federal porque a prestação das casa do Aquiles Comar é 10% do valor do salário e por que em outros bairros é 5%? A Caixa Econômica nos informou que as pessoas do Aquiles Comar passam a pagar 5% também desde outubro passado. Quem já pagou terá a diferença devolvida.

• CULTURA – projetar a Casa da Cultura, Centro de Eventos, teatro, biblioteca e Museu da Confecção.

bongiorno3 PERFIL
NOME – Claudemir Romero Bongiorno
NASCIMENTO – 10 de janeiro de 1957
CIDADE – Nova Esperança (PR)
FORMAÇÃO – Ensino médio
FAMÍLIA – casado, três filhos
LAZER – equitação e tomar tererê na fazenda
TIME – Palmeiras

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