Reclamar é Preciso

É muito bom viver bastante, porque a vida é um grande livro de páginas em branco, nas quais vamos escrevendo dia a dia As peripécias de nossa passagem. Ao longo de minha vida nunca escrevi uma página que estivesse com as características de nosso sofrido Brasil de hoje. Criança, ainda, o mundo era a minha família, fora deste círculo, nada mais havia, a não ser o carinho de meus tios e avós. O círculo se ampliou quando fui para a escola aprender a ler e escrever, amiguinhos foram engajados no pequeno e miúdo circulo de convivência. Adolescente, era a grande visionária de uma vida alegre e feliz, família, parentes, amigos, colegas de escola, o horizonte se ampliava e lá no despontar da linha da vida conheci o amor puro de uma jovem, que só queria ser feliz! Veio a conclusão do curso ginasial na escola salesiana e diante de mim apontava o caminho de um dia ser professora. Sabíamos que existiam os três poderes constituídos do Brasil pelos livros de escola, absolutamente, ninguém se importava com os rumos políticos do Brasil, porque os dirigentes não nos incomodavam. Nunca ouvi meu pai ou minha mãe reclamar que o governo não era bom e entramos no governo militar, com quase nenhuma informação, mas, a nossa vida tomou novos rumos. Durante o governo militar fui normalista de saia azul pregueada e blusa branca, andando pela Rua Piratininga, em busca das aulas da Escola Normal Secundária Cândido Portinari. Andava sem medo pela ruas de nossa tranquila Cianorte. Construí meu trabalho de professora, a missão mais nobre e verdadeira que exerci ao longo de minha vida. Ansiosa pelo saber cursei faculdades, inúmeros cursos de pós-graduação, casei, nasceram meus filhos e consegui com o fruto do meu trabalho e da convivência conjugal formar um patrimônio. Estávamos em pleno governo dos militares, nunca fui incomodada, embora lecionasse matérias esclarecedoras dos rumos da Nação, como Geografia, História, Estudos Sociais, Educação Moral e Cívica e Organização Social e Política. Nunca falei de ideologia na sala de aula, porque entendia esta questão, como tese particular de cada ser humano, respeitei as tendências de cada aluno, e que cada um escolhesse seu rumo de acordo com suas convicções. Nos 35 anos de profissão, em pleno governo militar nunca fui incomodada por nenhuma autoridade sequer e o governo dos generais era algo distante, porque não se ouvia reclamar de inflação, de insanos corruptos, os preços eram estáveis e vivíamos modestamente com que ganhávamos dentro de nosso orçamento. Nenhum político vinha na porta das casas dos cidadãos pedir voto com promessas irrealizáveis depois de eleitos.

A esquerda dominava Cuba e devagar foi se espalhando, aproveitando a sensibilidade do cidadão que tinha menos do que poderia ter e se derramou pela da América do Sul. Quando percebi esta mudança lenta, deixei de ser feliz e passei a me preocupar com o mundo que vou deixar para meus filhos e netos. Nestas várias dezenas de anos que vivi jamais vi meu Brasil amado ser tão desonrado! Chorei quando vi um vídeo de um brasileiro queimando a Bandeira do Brasil! O que se passa pela cabeça destes insensatos? E de repente me vejo no trabalho social que desenvolvo, que a maioria dos detentos e condenados são sentenciados por roubo, furto, drogas e assaltos! Esta geração espelha exatamente, a falta de limites em cada um deles, que é parte da ideologia da esquerda radical que acha que ao sermos todos iguais, querem ter para si, aquilo que o outro tem, porque para a esquerda não há limites. Somos naturalmente feito de diferenças, mas temos os mesmos deveres e os mesmos direitos. Ultrapassando o limite quem fala mais alto é o Código de Leis. Definitivamente, este não é o país que sonhei para mim!

Izaura Varella

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