REAPRENDENDO A VOAR

Quando chegamos à segunda metade da vida, lá pelos 40 ou 50 anos, há uma curva enorme e estamos no alto da montanha. Para alguns, os obstáculos nem são tão grandes, afinal tantos precipícios foram atravessados, a nado, ao sol quente, à chuva ou corroídos pelas aflições. A dor ensina a voar e a passagem para a segunda metade da vida passa mais branda, mais suave, em razão das experiências obtidas ao longo da existência. No entanto, para alguns que estão prestes a entrar pela segunda metade e que só viveram, simplesmente, no ócio, nas baladas, nas alegrias, no prazer, mesmo que efêmero, na “curtição” ficará diante da segunda metade da vida muito mais frágil. É necessário, para atravessar este outro lado, ter maturidade. A maturidade chega com a experiência e pelo discernimento diante da escolha do que é bom para mim e para minha família ou é mau. Isto é, se consegue entrar pela segunda metade, se cultivou durante a primeira metade a solidariedade em relação ao outro, se plantou lírios em vez de ervas, se distribuiu sorrisos ao invés dos xingamentos e impropérios, se cantou e dançou as valsas da vida.

Porém, quem viveu pela primeira metade com displicência, com irresponsabilidade, com intolerância, com a falsa alegria e falso prazer que as drogas induzem, certamente, chegará cheio de dúvidas, de desamor, e não enxergará o caminho que desponta na segunda metade, com o prazer de amar e viver, ter uma família e ter amigos da alma! A experiência lhe trará o discernimento de conhecer que o espaço de dentro tem que ser cultivado para que se envelheça com prazer, sem remorsos e certo que se cumpriu a missão que foi dada por Deus.

Que fique claro que a despeito de se ter as melhores intenções de viver com retidão, e viver com retidão é difícil, muitas e muitas vezes é possível enveredar-se por uma floresta escura e mesmo sendo um ser consciente, com boas intenções e estar atento diante deste tropeços da vida, o desapontamento toma conta. Na verdade, estes medos são medos necessários para alcançar a plenitude da vida. Há necessidade de se estar preparado para viver a segunda metade da vida, para não se correr o risco de ser um deprimido, um silencioso e um chato da terceira idade.

“Quem passou pela vida em brancas nuvens

E em plácido repouso adormeceu,

Quem não sentiu o frio da desgraça

Quem passou pela vida e não sofreu

Foi espectro de homem não foi homem

Só passou pela vida. Não viveu!”

Izaura Varella

Em 24 de novembro de 2.019

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