QUANDO ESTAMOS TRISTES

Não é sempre e nem é constante, mas ela vem de vez em quando atordoar nosso dia, e deixa brumas no ar. Parece até que nunca mais a névoa se desviará do caminho que percorremos por ordem da vida. E a tristeza entra pelos meandros da alma e ficamos martelando, porque tal fato aconteceu comigo, até onde eu cooperei para que este ‘imbróglio’ chegasse. Na tristeza sempre se procura os culpados, mas basta olhar para dentro que enxergaremos que os culpados não interessam, porque se interessassem a nós, eles iam provocar mais sofrimento, pois, o sentimento de dar o troco é maior, e isto nos causa o mal viver. Então ficamos aqui, pensando que muitas vezes a tristeza é necessária para cumprirmos nosso tempo, pois ela nos faz refletir, permite que vasculhemos os lugares mais escondidos de nosso coração, penetramos neles e de repente, nos deparamos com todas as obras boas que já realizamos em função do próximo, em função daquele desvalido e que nossa mão estendida construiu muito mais com a alegria de servir e não com a tristeza de destruir. Aí perdoamos os outros e nós mesmos, mas o sentimento de pena do vilão permanece.

Sentimos pena daquele que inveja a nossa felicidade ao proporcionarmos o bem ao outro, porque a inveja é o sentimento asqueroso que migra de uma pessoa para outra e espanta até os cães mais raivosos. Querer se colocar no lugar do outro, não para servir, mas para abastecer-se das vantagens de estar no lugar do outro é deprimente. Conhecemos as pessoas pelo rastro de inveja que deixam. Muitas vezes estas pessoas foram valorizadas por nós mesmos, incluindo-as em nosso cotidiano, em nossas tarefas e obrigações, e daí percebemos como fomos enganados quando fizeram parte de nossa rotina. Não são as pessoas que aparentavam ser. Vinham em busca de interesses maiores, daí decorre a tristeza de sentir que também fomos enganados. Mas a tristeza passa como tudo passa e a harmonia que faz parte de nossa vida diária volta a reinar. Nascemos para ser felizes, não para ficar lamuriando o perpassar do mal em nossa vida e que nos causou tantas decepções. Levantar as mãos para os céus, usando o perdão como retaliação é muito mais nobre do que guardar mágoas cotidianas. Eia que a mágoa nos deixa envelhecidos, cabisbaixos, tristes, mudos, sem iniciativa. Claro, jamais trazer estas atitudes cruéis para nossa vida, em função da maldade do outro.

E de repente, quando estamos tristes, melhor mesmo é sair de dentro de nós, dar uma revoada sobre as árvores, na sombra da noite e lá do alto, na copa frondosa, podemos enxergar estrelas. E a paz volta ao coração e a tristeza vai embora.

Izaura Varella – advogada e professora

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