Para não ter risco de atraso, importação de produtos natalinos deve ser antecipada

A logística global tem enfrentado atrasos e disparada nos fretes marítimos, como reflexos da pandemia. A situação deverá se estender ao menos até o ano que vem e traz como consequências preços altos e possibilidade de atrasos na chegada de produtos pelos próximos meses, principalmente dos produtos natalinos. Por isso, para que esse tipo de mercadoria chegue a tempo para venda e distribuição, é preciso iniciar a importação. 

Em 2019, antes da pandemia, o Brasil importou 34 milhões de artigos natalinos. Em 2020 foram 22 milhões, e nos sete primeiros meses deste ano foram 6 milhões, tendo como principal fornecedor a China – os dados são do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MIDC). “Como a China é nosso principal fornecedor, temos um problema extra, porque recentemente o país enfrentou surto de coronavírus na região Sul, entupindo portos essenciais para o comércio global, com acúmulo de embarques. Isso poderá levar meses para a solução, o que poderá levar à redução de produtos para as compras de final de ano”, comenta o presidente do Instituto Mercosul, Aluizio Andreatta. 

A situação começou em Yantian, porto a cerca de 80 quilômetros ao norte de Hong Kong. O porto ficou fechado por quase uma semana no final de maio e embora tenha sido reaberto, está operando abaixo da capacidade, criando acúmulo de contêineres para sair e navios esperando para atracar. 

O congestionamento se espalhou para outros portos em Guangdong, incluindo Shekou, Chiwan e Nansha. Todos estão localizados em Shenzhen ou Guangzhou, o quarto e o quinto maiores portos de contêineres do mundo, respectivamente. E em agosto a China fechou parte de um dos portos mais importantes do mundo, também em virtude do coronavírus: o porto de Ningbo-Zhoushan, localizado 250 quilômetros ao sul de Xangai. 

Com o início da temporada de pico no terceiro trimestre, em que empresas abastecem os estoques para o final do ano, a situação poderá se agravar. No Brasil, o comércio com a China foi o mais afetado, o que reflete nos fretes marítimos em patamar recorde. Nas rotas de importação vindas da China, o frete médio registrado em julho de 2021 foi 7,3 vezes maior do que há um ano, segundo dados da Logcomex. Atualmente a rota Xangai-Santos custa US$ 11 mil por contêiner de 20 pés, contra US$ 1,5 mil em agosto de 2020. “É um nível histórico, que não deve recuar tão cedo”, resume Andreatta. 

Mas não é apenas a importação da China que está com fretes acima do normal. O custo do transporte vindo da Europa triplicou desde março. As rotas do Golfo e os trajetos vindos dos EUA também estão pressionadas em meio aos congestionamentos nos portos americanos. 

“Os altos custos de transporte internacional, as constantes rolagens dos embarques pelos armadores, a escassez de contêineres e a falta de matéria-prima são motivos de preocupação entre os importadores e lojistas, pois esses fatores terão impacto nos preços dos produtos, em meio à retomada global das atividades econômicas”, aponta. 

A orientação de Andreatta é que os lojistas iniciem a importação de produtos natalinos para garantir melhores preços e entregas no prazo. No caso de empresários que não têm recursos para antecipar as compras do estoque, uma opção é recorrer a linhas de crédito. Para isso, é possível ter a operação avalizada pela Noroeste Garantias, cuja sede, assim como o Instituto Mercosul, fica na ACIM. Com uma carta de garantias em mãos, o empreender poderá buscar uma instituição financeira e ter acesso ao crédito para fazer as suas importações.

A expectativa, segundo Andreatta, é que a partir de dezembro, com a temporada baixa, o enorme estoque acumulado de encomendas comece a ser liberado.

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