O PRIMEIRO CINEMA DE CIANORTE

No dia 13 de agosto de 1.955 Cianorte foi elevada a município e desligada oficialmente de Peabiru, e em seguida já elegeu o seu primeiro prefeito municipal, ainda em 1.955. O Município de Cianorte, então, estava oficializado como tal e o ano passou rápido. O ano de 1.956 despontava com uma grande promessa de progresso e a esperança tomava conta daqueles novos moradores que chegavam a todo o momento. Os lotes urbanos estavam sendo vendidos rapidamente, tamanha era a procura pela já famosa cidade que nascia. Porém, que lazer a cidade oferecia aos seus moradores? Absolutamente nada, a não ser as partidas de futebol que eram realizadas na Esplanada e as conversas com vizinhos, quando havia, com as cadeiras levadas para frente da casa, no anoitecer.

Um dia o senhor Alcebíades Franco Vieira resolveu instalar o primeiro cinema da cidade. Num prédio de madeira, na Avenida Goiás, bem próximo da Praça 26 de Julho, colocou alguns bancos de madeira no meio do pequeno salão, que se abria numa pequena porta lateral, simultânea para entrada e saída, com uma pequena bilheteria. Deu-lhe o nome de Cine Ópera. As acomodações do pequeno cinema eram muito desconfortáveis, havia bancos coletivos sem encosto e muitas vezes, para terem uma melhor acomodação os frequentadores levavam suas próprias cadeiras para dentro do salão. Quando a sessão ia começar tocava um gongo e as cortinas da tela se abriam. De qualquer forma era muito importante este cinema, pois, era um veículo informativo, num tempo histórico sem celular, sem telefone, sem qualquer meio de comunicação. O cinema tinha uma sirene que tocava antes do filme começar e também tocava na hora de terminar. Antes de começar a passar o filme eram veiculadas as notícias nacionais e internacionais, sempre desatualizadas, claro. Isto amenizava a falta de jornais em circulação, assim como as revistas que eram trazidas de centro maiores. No fundo do salão tinha uma pequena sacada, elevada onde ficava a máquina de filme. Quem trabalhava com a máquina era um alemão chamado Fritz, e quando Fritz exagerava na bebida os clientes do cinema é que sofriam as consequências, pois, o alemão trocava os rolos do filme que ia passar e muitas vezes, logo no começo, aparecia a legenda “The End”. Isto significava que o rolo de filme que indicava o fim do filme era passado logo no começo. Os presentes reclamavam e aí, Fritz organizava os rolos dependendo de seu estado etílico. Mas, de onde vinha a energia que movimentava a máquina? Vinha de um motor instalado do lado de fora e que alimentava a passagem do filme e a energia elétrica. Mas não era sempre que o motor aguentava. De vez em quando o motor parava e Fritz não conseguia passar o filme até o fim, então o Alcebíades devolvia o ingresso para todos e anunciava que seria permitido entrar com o mesmo ingresso no dia seguinte. E quando não havia ingressos, se pagava direto na bilheteria, todos iam embora e voltavam assistir de graça no dia seguinte. Um belo dia havia energia, mas o filme muito antigo a todo instante quebrava a fita, o povo reclamava, mas teve um grupo de pioneiros, que mesmo assim resolveu ficar no cinema para assistir o filme até o fim. O filme terminou de passar às 5 horas da manhã!

Histórias da cidade que amo!

Izaura Aparecida Tomaroli Varella

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