“O policial vai embora contente quando tem poucas ocorrências”, diz capitão Santos

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Ele completou um ano no comando da terceira companhia de Polícia Militar em Cianorte. E o capitão Carmelito Santos fala com segurança e orgulho da redução da criminalidade na cidade. Mesmo sabendo que a segurança pública ainda é um dos principais problemas na sociedade hoje e que é preciso fazer cada vez mais. Ele já atuou na cidade como soldado em 1989 e também como oficial em 1994. Até assumir como capitão em setembro do ano passado.

O Capitão Santos implantou ferramentas que deram resultado e reduziram a criminalidade em Cianorte. Tanto é que é comum o boletim de ocorrências não ter nenhum registro em alguns dias. E atento às novidades, ele diz que usa a tecnologia para o trabalho e espera que essa tecnologia de informação esteja disponível para as viaturas de seu batalhão um dia.

Outro aspecto positivo que colabora para a segurança pública em Cianorte é a parceria entre as policias Civil e Militar, o Ministério Público, o poder judiciário e a prefeitura. “Isso faz com que o policiamento se torne mais forte, mais eficaz. A nossa filosofia de trabalho aqui é de polícia comunitária voltada para o cidadão”, avalia o Capitão Santos. Ele acha que se as polícias se dividem, elas enfraquecem. Se elas se unem, se fortalecem. Então, o sensato é trabalhar nessa união voltada para a comunidade.
O jornal Folha de Cianorte entrevistou o capitão Santos para a coluna Entrevista especial. Ele comentou sobre o mapeamento da criminalidade, da dificuldade em combater o crack, problemas no trânsito e dá dicas de segurança para o fim do ano.

Texto e fotos: Andye Iore

ENTREVISTA:
FOLHA DE CIANORTE – Quais os desafios de se trabalhar com segurança pública em Cianorte?
CAPITÃO SANTOS – Os maiores desafios estão nas questões sociais. O nosso município tem muitos problemas, principalmente na questão de uso de drogas. E essa é nossa maior dificuldade em trabalhar, nosso maior desafio.

O que o crack representa hoje na sociedade?
O crack representa uma das piores situações porque o indivíduo além de estar envolvido no uso indevido de drogas, ele também se coloca numa situação de risco com problema de saúde e ele também se envolve com as questões criminais. E isso é um problema não só para o indivíduo, como também para o município.

Como as autoridades e órgãos públicos podem combater mais eficientemente o crack na sociedade?
Respondo como acadêmico pelos cursos que fiz em faculdades em Brasília e Santa Catarina. Acho que tem que ter um envolvimento maior das famílias que tem que estar mais próximas desse indivíduo. Quem faz uso de drogas é uma pessoa que é doente, que precisa de um cuidado maior não só da família como da própria sociedade. O cidadão tem uma grande participação quando denuncia os pontos de tráfico de drogas porque o traficante usa aquilo para ter seu enriquecimento. O indivíduo que usa drogas está dilapidando os bens dele e da família. E é importante que as famílias se envolvam nisso no sentido de proteção. O número de pessoas que usam drogas tem aumentado nas cidades pequenas e grandes. Aí que é importante a sociedade, a família, os amigos. Não só para fazer a denúncia contra o traficante, mas para encaminhamento dessas pessoas para o tratamento.

Como é hoje a estrutura da Polícia Militar em Cianorte?
A estrutura que temos hoje em Cianorte atende a demanda da cidade. Também a quantidade de veículos, combustível. Nós temos alguns problemas pontuais, mas a estrutura principal de recursos humanos, financeiros e materiais possibilita um bom atendimento para a população. Tanto é que conseguimos baixar o índice de criminalidade em algumas ocorrências em torno de 25%. Isso é um fato bem positivo. Os policiais atendem a demanda, a comunidade contribui e ajuda muito com essa questão fazendo as denúncias que possibilitam o bom resultado e qualidade no nosso trabalho.

O que caracterizam essas reduções?
Foi uma nova sistemática de trabalho. Lançamos a Rocam, a ronda ostensiva com acompanhamento de motocicletas, o que dá uma outra dinâmica de trabalho. Também as rondas com a Rotam, a ronda ostensiva tático móvel, em alguns horários de pico de ocorrências. Também lançamos o cartão programa que tem dado respostas, onde o policial realiza o patrulhamento em áreas que, até então, ele não fazia antes e com outra dinâmica de patrulhamento. Ele recebe orientações voltadas para pontos importantes na cidade onde há possibilidades de ocorrências de certos crimes. Esse trabalho direcionado voltado para alguns pontos e horários faz com que as ocorrências diminuam. E isso também tem a colaboração da população que nos ajuda.

Ocasionalmente o boletim da PM não tem nenhuma ocorrência. E isso não é muito comum na maioria das cidades. Por que isso acontece?
O trabalho da Rocam, a parceria com a Polícia Civil e o sistema de cartão programa fazem com que em alguns dias não tenha ocorrência registrada. Isso é bom porque representa um trabalho realizado. No dia que não tem nenhuma ocorrência registrada, significa que a polícia trabalhou bem. Quando o policial termina seu turno de serviço, ele vai embora um pouco mais contente quando ele registra poucas ocorrências. E no dia que tem mais ocorrências, o sentimento é que a missão não foi totalmente completada. Esse trabalho de policiamento ostensivo se torna forte por essas parcerias.

Existe um mapeamento da criminalidade em Cianorte?
Nós temos alguns bairros que são considerados um pouco mais violentos. Mas o crime ocorre em toda a cidade e não só no bairro. O indivíduo reside no bairro, naquele ponto se torna mais violento com as ocorrências de homicídio e apreensões de drogas. Enquanto as ocorrências de furto e roubo são mais no centro da cidade. Fazemos um acompanhamento por meio de estatísticas da nossa central de planejamento que pontua e direciona os horários e locais de ocorrências. Isso nos dá a certeza de onde precisamos agir com um pouco mais de presença. Por exemplo, hoje temos uma viatura em patrulhamento na Vila 7 porque temos indícios que lá há a indicação que pode haver uma maior venda e consumo de drogas. Em determinados dias e horários direcionamos as equipes especializadas para fazer esse trabalho.

Quais são as regiões mais problemáticas em Cianorte?
Temos alguns bairros mais problemáticos e também têm questões sociais. Por isso há mais ocorrências envolvendo drogas e violência à pessoa. Temos bairros como Aquiles Comar onde temos um trabalho de inteligência. E também a Vila 7 e os Seis Conjuntos que merecem mais atenção. Já na região central as ocorrências mais comuns são os descuidos, com furtos de celular e bolsas.

Quais os principais problemas no trânsito em Cianorte?
O maior problema no trânsito é quem não é habilitado. As ocorrências de irregularidades ao volante têm diminuído bastante. O cidadão deve ter a consciência que o trânsito mata. E que o condutor de veículo deve dar preferencia ao pedestre. Já o pedestre deve fazer uso da calçada e atravessar somente nas faixas. Temos blitze quase diárias nas ruas e sempre com veículos apreendidos. E isso é um trabalho importante porque Cianorte tem aumentado muito sua frota de veículos nas ruas.

Quais as dicas  para os cianortenses sobre os cuidados no fim do ano?
Vamos reforçar o policiamento nesse período de comércio aberto à noite. E o cidadão também pode tomar cuidados. Quem for fazer suas compras no comércio à noite, procure estacionar o veiculo em local bem iluminado e com movimentação de pessoas. Evitando estacionar em local ermo que facilita a ação do delinquente. Também não deixar bolsas à mostra no interior do veículo, evitando o arrombamento porque o indivíduo pode acreditar que tenha algum valor dentro dessa bolsa. Ao sair de casa é importante avisar o vizinho e ter o telefone dele. É importante fechar janelas e não deixar lâmpadas acesas. Em caso de viagem é importante fazer a manutenção do veículo para evitar acidentes.

PERFIL
NOME: Carmelito dos Santos
NASCIMENTO: 19 de junho de 1967
CIDADE: Douradina (PR)
FORMAÇÃO: Direito (Unipar, em Umuarama, 2000), pós em “Direitos humanos e segurança pública” (Famma, em Arapongas)
FAMÍLIA: casado, um filho
LAZER: equitação e pesca

(A coluna Entrevista Especial é publicada aos domingos no jornal Folha de Cianorte)

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