O PARQUINHO INFANTIL AO REDOR DA IGREJA

“Todo mundo batia na porta da gente, era gente que chegava com criança, era gente que ia dar à luz e não sabia onde se acolher. A Dona Luiza era uma mulher muito caridosa e muito dinâmica e um dia ela me procurou para fundar a Liga, (hoje A.P.M.I.) e nós duas reunimos algumas pessoas. Aconteceu um caso muito engraçado. A minha casa é grande e tem um terreno com grande com jardim e acordamos de manhã tinha um caminhão parado. Havia um homem que perguntou: “quando vão abrir o hospital? Porque minha mulher vai ter neném aqui mesmo.”. Ele achava que estava na frente de um hospital. Aí Dona Luiza inventou de fundar a Liga e precisava de um terreno. Eu liguei para Iza, esposa do Dr. Gastão Mesquita, em São Paulo, para doar um terreno para a associação e poder construir a sede, que ficava na Rua Abolição.”.

Helena da Rocha de Moraes Barros

Este parquinho infantil tem história!

Ao redor da igreja Matriz campeava a mata original, nada derrubado, apenas algumas passagens forçadas pelos pouco pedestres, numa cidade que não tinha mais que sete anos de fundação. O mandato do primeiro prefeito Wilson Ferreira Varella havia terminado em dezembro de 1.959, as eleições haviam acontecido. Numa disputa eleitoral, na verdade a primeira de Cianorte, concorreram ao cargo de Prefeito Municipal Dr. Ramon Máximo Schulz e Antonio Rodrigues Mota, e este, foi eleito o segundo prefeito de nossa cidade. As eleições aconteceram em 4 de outubro de 1.959.

O ano de 1.960 transcorreu com a população acreditando em seus empreendimentos na cidade que nascia. Dona Cremilda, esposa de Mota, assumiu das mãos de Luiza Lúcia Ruffini Varella, esposa do prefeito que encerrava a sua gestão, a A.P.M.I. – Associação de Proteção à Maternidade e Infância, que funcionava atendendo crianças e gestantes. A entidade havia sido fundada por Luiza, com a ajuda de Helena da Rocha de Moraes Barros e Maria Egle Polito Mafra, três mulheres que dedicaram suas forças às pessoas que chegavam na cidade e eram vulneráveis em todos os sentidos e continuaram todas neste propósito singular. O ano de 1.960 transcorria e Luiza Lúcia começou a ter cólicas renais, pedras nos rins constantemente, no meio de uma cidade com dois médicos apenas e um hospital de madeira recém-construído. Foi atendida, mas 19 de outubro de 1.960 uma forte cólica provocada pelos cálculos renais provocou hemorragia e ela faleceu em sua casa. Foi um choque para a comunidade cianortense, pois era uma mulher de apenas 40 anos, forte, disposta, criativa, benfeitora, e sempre ligada à caridade, em atender quem precisava de seus cuidados. A sua generosidade era imensa e a levava a organizar festas onde pudesse arrecadar recursos para atender os mais necessitados, e que eram inúmeros nesta época, e com suas amigas organizava quermesses, leilão de carnes assadas, em volta da igreja matriz. A sua morte deixou um espaço vazio na cidade e um espaço numa mais preenchido no coração de seu esposo Wilson e de seus filhos Virgilino e Vera Míriam.

O Prefeito Mota resolveu homenageá-la, em razão de sua dedicação às crianças e construiu um Parque Infantil na Praça João XXIII e deu o seu nome, um tributo para jamais ser esquecida: Parque Infantil Luiza Lúcia Ruffini Varella. Um parque simples, com brinquedos simples e mais tarde teve até uma pequena roda gigante, onde as crianças da época se divertiam. E quantos homens e mulheres de hoje brincaram na grama simples, nos balanços, na correria! O Prefeito Mota deu o nome dela ao parque e a eternizou na memória de sua população.

Na reinauguração do parque que teve melhorias, brinquedos novos, banheiros limpos e arejados o Prefeito Claudemir Bongiorno trouxe de volta à memória da cidade o nome daquela benfeitora do passado. Deu uma nova paisagem ao parque e a despeito das polêmicas insensatas, trouxe de volta as lembranças daquela mulher forte, homenageando a família Varella, em nome de Luiza Lúcia.

Izaura Varella

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