O JURANDIR DA FARMÁCIA

O passar do tempo é cruel e irreversível, o tempo passa, faz a sua devastação e não volta mais. O JURANDIR ROMERO, nosso pioneiro desde o ano de 1.958 foi levado embora pelo passar do tempo para Curitiba e agora definitivamente para junto de Deus. Chegou em Cianorte no dia 7 de setembro de 1.958 e veio para ficar como oficial de farmácia, vindo de sua cidade natal José Bonifácio, no Estado de São Paulo. Como oficial de farmácia não foi difícil arrumar um emprego na Farmácia São Paulo. Veio com sua família atraído pela propaganda que se fazia lá fora sobre Cianorte: cidade com um futuro promissor, com muita mata, com cafezais ao redor, com terra fértil, fartura de cereais. O entusiasmo veio com ele na sua mudança e foi morar na Rua Xingu, na Vila Operária, nos primeiros momentos de sua chegada. Nesta rua havia uma casa para alugar, pois, raro era conseguir um lugar para ficar no centro da cidade. No centro da cidade as ruas já estavam abertas, mas havia muita construção e a Vila Operária estava urbanizada e com muitas casas.

Nada foi fácil nos primeiros momentos de Cianorte, a luz era fornecida por motores que cessavam o funcionamento às 23 horas e a água, indispensável, era puxada em baldes do fundo do poço. Naquele tempo chovia muito e as estradas ficavam intransitáveis; foi um tempo muito sem conforto que Jurandir enfrentou, mas era feliz assim.

Católico fervoroso foi Congregado Mariano, frequentava as Missas celebradas pelo Padre Luiz Mark, o primeiro padre de Cianorte que atuava na antiga igrejinha amarela, feita de tábuas, no meio do bosque João XXIII. Jurandir Romero foi uma pessoa solidária e generosa. Como farmacêutico era procurado por toda a população e num dia que a cidade não tinha nenhum médico a parteira chamou Jurandir para fazer um parto. Como ele mesmo dizia: “era padre, médico, parteiro durante 24 horas por dia.” Logo encontrou a namorada que seria sua esposa até o dia de sua morte: foi casado com Aparecida de Lourdes Braga Romero tendo três filhos e na sua generosidade sem limites, um filho era adotivo. Assim foi se tornando popular, muito conhecido na cidade e muito procurado na farmácia, eis que era uma pessoa confiável e amável no atendimento. Tanto que foi eleito Vereador, quando Jorge Moreira da Silva foi Prefeito pela primeira vez em 1.983, depois reeleito em 1.989 e 1.993. Tive a honra de exercer meu mandato de Vereadora com ele na gestão 1.989 a 1.992 e desfrutar da sua amizade e de seu dom de se comover com a dor dos outros. Lembro-me de Jurandir Romero falando: “Não é fácil ser cristão e ser político ao mesmo tempo, não ser duas caras; estamos sofrendo no Brasil pelas políticas erradas e ficando cada vez mais desacreditados! O mau político tem interesses próprios e não visam o sua cidade…”

Quando exerceu seus três mandatos consecutivos acabou eleito como Presidente da Câmara Municipal por seus pares e cumpriu o seu papel dignamente. Um belo dia resolveu morar em Curitiba e lá se foi com toda a sua família. Mas amava Cianorte, a terra que o acolheu com carinho e desvelo. Um dia ele me disse: “Nós que somos brasileiros, paranaenses e cianortenses devemos lutar com fé e esperança para termos dias melhores. Sou otimista e sempre solidário com meus irmãos desta terra. Já tive propostas maravilhosas para sair daqui, mas nunca quis aceitar, pois vou morrer em Cianorte!”

E o destinou o contrariou… Mas Jurandir Romero deixa o seu exemplo de homem generoso, solidário, político honesto e um dos maiores assistentes sociais que já passaram por esta terra abençoada.

Vai embora, certamente, com Deus!

Izaura Varella

Cidadã Cianortense

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