O CONVITE DO COLÉGIO CEC

Recebi um convite, e, prazerosamente, aceitei: eu deveria fazer uma palestra sobre a História de Cianorte para estudantes do colégio CEC. Aceitei, pois, o assunto que domino, também me dá prazer. Reviver os primeiros anos de Cianorte, com aquela autenticidade de quem pisou a areia branca macia das primeiras ruas abertas em Cianorte, sem dúvida, me faz feliz. A Coordenadora Carol me fez o convite e, para minha surpresa os ouvintes seriam crianças de 4 a 5 anos de idade! Seria uma experiência surpreendente, e foi mesmo, ao conversar e contar a historinha do nascimento de Cianorte para crianças com a idade de meus netos. A Diretora e demais professores me receberam com tanta gentileza e com tanto carinho, que a aflição que rondava meu coração desapareceu. Ora, eu sou avó e conto historinhas para meus netos, porque não contaria historinhas da cidade para os netos de outros? A professora de educação infantil já tinha avisado aos pequenos que eles teriam uma visita. O terreno estava preparado, pois, aqueles inocentes estavam à minha espera e de cara ficaram meus amigos. Todos queriam participar, fazendo perguntas sobre assuntos tão diferentes, que acabei foi mais, é me divertindo! Comecei falando com eles que num determinado dia eles vieram ao mundo, e perguntei “de onde vieram?” quando nasceram em Cianorte? Todos uníssonos responderam: “da barriga da mamãe”. Aí assustei, porque se fosse no meu tempo de criança eu diria que “foi a cegonha que me trouxe”. Continuei a historinha do nascimento de Cianorte dizendo que Cianorte também tinha nascido e se eles sabiam como Cianorte tinha nascido? E lá vem o pequeno humorista inocente e responde: “da barriga do papai”, com muita lógica, é claro, porque o papai não poderia ficar de fora da historinha. Depois fui contando que no lugar onde está o colégio CEC tudo antes, muitos anos atrás, tudo era uma imensa floresta, com muitos tipos de árvores, grandes, pequenas e que no meio da floresta havia também muitos bichos escondidos. Quiseram saber que tipo de bichos que havia na floresta de Cianorte e respondi: “tinha capivara, tinha anta, tinha porco do mato, tinha cobra, tinha lagarto, tinha macaco, tinha formigas...” E de lá do fundo desponta a pergunta ingênua da criança inocente: “Tia, aqui na floresta também tinha aranha?“Sim, minha criança, aqui tinha aranhas e elas ficavam, escondidas debaixo das folhas…” “Tia, conta a história da aranha”, um deles falou, e outro grita lá no fundo: “tinha uma aranha na minha casa”, e aí outro fala: “a aranha era marrom?, e o outro pergunta: “ela morde”? E vem outro: ”tenho medo, tia…” As perguntas eram tantas sobre a aranha que ficava debaixo das folhas que o novo interesse destes anjos pequenos desvirtuou a minha aula… Respondi, pacientemente, todas as perguntas, sobre todas as aranhas do mundo, acompanhando cada olhar, cada mãozinha levantada, cada olho brilhante que me buscava na sala. Depois, como foi difícil retomar o assunto da historinha da Cianorte; passei um pequeno vídeo que demonstraram muito interesse com perguntas, para no fim, minha aula desandar outra vez. Lá no fundo um pequenino levanta a mão e pede para fazer uma pergunta. “Tia, sabe que eu tinha um peixinho e ele morreu…?” “Nossa, não sabia mesmo”, e o outro fala: “Tia, eu tinha um cachorrinho que também morreu…” E lá vem mais um: “Tia, sabe que meu avô morreu?” “Tia, o meu passarinho também ficou doente e morreu e meu pai enterrou ele no quintal,” “Tia, eu também tinha um peixinho que morreu…”

Aff! E aula foi terminando, cumpri minha missão e reconheci meu fracasso como professora. Se eu tivesse preparado um texto do peixinho morto e da aranha eu seria muito mais feliz! Mas, foi um dos dias mais felizes da minha vida!

Izaura Varella

Advogada e Professora

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