MEU ISOLAMENTO

“Sem aviso, o vento vira uma página da vida.” Helena Kolody

Quando estou triste saio de mim, dou uma revoada sobre as árvores, na sombra da noite; na copa das árvores enxergo estrelas. E a paz volta ao coração e a tristeza vai embora! E navegar é preciso e viver não é preciso? Cada revoada fora de mim vou recolhendo sonhos. Os sonhos que não realizei eu descarto. Por que carregar o fardo das derrotas? Este fardo pesa doído e incalculáveis são os prejuízos do peso da culpa. Carrego comigo tão somente as alegrias que fizeram com que eu chegasse aos setenta, feliz e com vontade imensa de ser eterna! Sonhar é preciso! Ainda sinto a dor da perda dos amigos e familiares, mas, isto é um fardo de lembranças tão somente. Um dia alguém que me amou também sentirá o peso deste fardo. Não há como trazer de volta o vôo do pássaro. Um dia todos voaremos ao infinito e seremos tão somente lembranças. Não obstante, conservo comigo somente as lembranças doces. As amargas eu sufoquei no coração por que meu objetivo tão somente é ser feliz, a despeito das sombras. Aprendi ao longo da vida não julgar ninguém, pois, não sou proprietária da verdade e a verdade sempre pertence a cada um. A minha verdade me basta. Como julgar aquele amigo que certa vez enxugou minhas lágrimas, sem me dizer uma palavra? Como colocar na balança a fala de impropérios que já ouvi ao longo dos anos? Como julgar aquele aluninho que fugiu das minhas aulas? Não se pesa os sentimentos e a razão dos outros, pois, a cada um, eles pertencem, são unilaterais e o julgamento sempre será sob o seu ponto de vista e esta será a sua razão. E nada há de pior do que se sentir dono da verdade. A verdade a cada um pertence. Só há uma convergência verdadeira, aquela que conduz a Deus, pois, Ele existe! Se assim não fosse qual seria o objetivo de minha vida? Passar por aqui, simplesmente, e nunca florescer? Passar por aqui sem deixar meus rastros na areia branca desta terra abençoada e que amo tanto? Quero ser a rosa que se abre a cada manhã sem se importar que se vou tornar meu jardim mais belo. Só a beleza da rosa me basta! E quando eu sair do meu isolamento e sentir necessidade, vou por aí pintando as estrelas!

Izaura Varella

Professora e Advogada

Em 05 de abril de 2.020

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