Fatores que desencadeiam problemas na ATM

A inter-relação entre o sistema imunológico e as emoções é extremamente complexa e apesar de muitos anos de estudos, persistem dúvidas em relação de como as alterações emocionais interferem com o sistema imunológico. Atualmente o mundo vive um momento difícil, e sabemos que estresse, ansiedade e depressão andam em conjunto, mas a confiança e o pensamento positivo devem prevalecer.

Ao longo dos nossos 25 anos de experiência profissional temos percebido que as doenças relacionadas à ATM têm aumentado significativamente. Estudos mostram que as doenças e disfunções na articulação têmporo mandibular (ATM) afetam em média 35% da população. Essa articulação realiza movimentos complexos, tendo função na mastigação, deglutição, fonação e a própria postura mandibular.

Quando existe alguma alteração na ATM, acontece o que chamamos de disfunção têmporo mandibular DTM; é uma síndrome que envolve a região craniocervical, musculatura mastigatória e a ATM. A DTM é classificada como um conjunto de distúrbios, de origem multifatorial que leva a diversos sinais e sintomas. Considerada de difícil diagnóstico, pois possui uma natureza heterogênea de sintomas. A etiologia da DTM pode estar relacionada a fatores psicológicos, alterações posturais, hiperatividade muscular, interferências oclusais, lesões traumáticas e/ou degenerativas da ATM ou a combinação entre os diversos fatores. Dentre tantos fatores a inter-relação entre os três principais são: psicocomportamentais, oclusais e neuromusculares.

Pessoas expostas a vários fatores estressantes comumente demonstram um aumento de hiperatividade muscular. É importante lembrar que o tipo e a intensidade de estresse variam muito de um indivíduo para outro. Dessa forma, torna-se difícil julgar a intensidade de um fator estressante no paciente.

Um dos indicativos de uma alteração na ATM é o estalido “clique”, normalmente acompanhado de dores de cabeça na região da testa, fundo de olho e nas têmporas, dores de ouvido, zumbido nos ouvidos, dificuldades para mastigar principalmente alimentos duros, dores durante a mastigação, tonturas, vertigens, barulho próxima a orelha ao abrir e fechar a boca, desgaste dental excessivo, sensação de travar a mandíbula.

Na fase aguda o tratamento imediato é eminentemente conservador, e deve ser sempre considerado e praticado antes de qualquer outro mais agressivo, não importando a etiologia. O tratamento conservador consiste em repousar a articulação sem imobilizá-la. Vale lembrar que a incidência é 4 vezes maior no sexo feminino, e em 85% dos casos existe fator emocional desencadeando a dor. O tratamento da fase dolorosa, feito com repouso relativo da articulação e medicação sintomática, traz alívio à dor em 90% dos pacientes tratados.

A terapia de qualquer patologia depende da adequada avaliação do caso, além da consideração de aspectos importantes, como, por exemplo, se a desordem está ou irá influenciar posteriormente no tratamento, por isso, a anamnese continua sendo o passo mais importante na formação da impressão diagnóstica inicial.

Colaboração: Dr. Wagner Destéfano

Cirurgião Dentista – CRO 10637

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