ENQUANTO O PAPAI NOEL NÃO CHEGA

Enquanto não chega o Natal vou preparando, devagar, meus presentes. Não são presentes materiais, mas presentes incorpóreos, sem rosto, sem cores, sem papel, sem laços, sem fitas douradas. São os presentes que minh’alma indica o que devo dar, a quem devo dar e o que presentear. São desejos, são promessas de realização, intocáveis sim, mas, que o carinho que me toma, tome também sua vontade de aceitar o que lhe mando.

Para aquela amiga que está distante, chorando a dor do filho doente, recomendo que abrace seu filho por inteiro e não o solte, abrace sua alma e a aperte, beije, mas beije muito a sua cria, que ela pode não ser para sempre. Para aquela prima de longe, que andou de bolsinha dourada no meu casamento com apenas três aninhos, e que se encontra num hospital, onde tudo indica que não haverá volta, que seu coração adormeça sem dor e nem sofrimento. Para aquela sobrinha rebelde, que se nega a todo instante, e não quer a reconciliação com seus familiares, que seu coração abrande, senão pela dor, mas tão somente pelo amor. Para aquele meu aluno perdido no passado e no tempo, enfiado no fundo da sala, tímido, cabelo curtinho e negro, sofrendo os achaques de sua turma, e que agora já venceu na vida, que seu coração embranqueça no perdão. Para aquele desvalido, perdido no crime da droga, na mentira, no disfarce, e que acredita que enganar o outro lhe faz bem, que sua prisão seja menos dolorida, e que as paredes de sua cela sejam um conforto para sua dor, quase sem cura. Para aquele amigo que foi embora para sempre, e saiu da minha rodada de risadas e alegrias, e que hoje envelhece com suas dores e perdas, que refaça seu fim, para não permitir que o sofrimento tome conta do vazio de seu coração. Para aqueles que não souberam me interpretar e me entenderam com mágoa, sempre se lembrem de que não carrego peso na jornada da vida, porque por si só, ela já é pesada demais. Para aqueles indiozinhos e suas mães que estão nas portas dos supermercados, pedindo, pedindo e suas mães aprovando, desejo que o poder público os acolha e que não permita que fiquem na mendicância. Para aqueles meninas que praticaram o seu esporte preferido, seja xadrez ou seja futsal, que voltem para suas casas com a mão no peito de orgulho por terem defendido o nome de nossa amada Cianorte. E finalmente, para aqueles que me leem que o Natal seja santo, purificador, em torno de seus amados.

Izaura Varella

Natal de 2.019

Compartilhe: