Como foram as eleições para prefeito municipal e vereadores nas décadasde 50 e 60 em Cianorte – PARTE II

Em 1.959, quando findava o mandato do primeiro prefeito municipal, o carpinteiro Antonio Rodrigues Mota, casado com Cremilda de Abreu Mota, ambos mineiros, foi indicado pelo PSD para suceder Varella. Aliado deste, havia sido auxiliar do prefeito, dando-lhe apoio na busca de recursos financeiros para Cianorte. A eleição aconteceu no dia 4 de outubro de 1.959. Concorreu com o médico Dr. Ramon Máximo Schulz, da UDN, que desfrutava grande prestígio na cidade. Mota conseguiu eleger-se com 2.060 votos, dentre os 3.827 eleitores aptos a votar. A cidade crescia velozmente, pois, na eleição anterior, Varella elegeu-se com pouco mais de 300 votos, sendo candidato único. Neste primeiro mandato a cidade cresceu muito em construções e população. A campanha de mota foi considerada muito boa pela população e Mota já tinha adquirido muita experiência política e era bem visto pelo então Governador do Estado do Paraná Moisés Lupion, mas era oposição ao Governador eleito Ney Aminthas de Barros Braga. O Govenador Moisés Lupion participou da campanha de Mota falando em comícios aqui na cidade. Mas no ano de 1.960 e seguintes, o comando político de Cianorte estava nas mãos da UDN e passou a fazer forte oposição ao prefeito. Seus pedidos junto ao Governo Ney Braga era sistematicamente negados, embora tivesse a maioria na câmara.

A eleição de mota e vereadores transcorreu sem fatos notáveis, a despeito de rixa política. Foram eleitos 9 vereadores e o partido do prefeito elegeu 5 vereadores do PSD: Dr. José Maria Pinto, médico; João Bueno de Godoy, de Vidigal, comerciante; Irineu Batista Câmara; Benedito Câmara de Paula e José Augusto de Souza. O PTB elegeu: Mário Nunes Filho e o farmacêutico Daniel Antunes Barbosa. A UDN elegeu: Dr. Ovídio Luiz Franzoni,médico e José Perez Canhadas. Mas o curioso é que muitos destes vereadores, talvez por não terem remuneração mensal, foram desistindo ao longo do tempo e esta Câmara Municipal encerrou seu mandato, conservando apenas José Perez Canhadas dos primeiros eleitos e deu posse aos suplentes: Cândido Alves da Silva, Carlos Yoshito Mori, Primo Valotto, João Madureira da Silva, David Gil Espinha, Hermenegildo Lanato, Hélio Manfrinato tendo como Presidente da Câmara o ex-prefeito Wilson Ferreira Varella. Estes vereadores participaram de quase toda a legislatura.

A Lei 1 foi editada em 30 de janeiro de 1.960 e curiosamente alterava o Código Tributário Municipal, acrescentando impostos sobre o trânsito de carroças com duas rodas, carroças com quatro rodas, carroças de aluguel com duas ou quatro rodas, charretes particulares, charretes de aluguel, estas duas últimas muito usadas para o trânsito de prostitutas, entre suas moradas, que ficavam onde é hoje o Conjunto Habitacional Dr. Ovídio Luiz Franzoni e o centro da cidade.

Carlos Yoshito Mori, quando vivo, deixou para nós seu depoimento muito interessante a respeito das eleições:

“Na campanha eleitoral a gente saía numa turma, eu, o Mota, o Dr. José Maria Pinto, Oswaldo Marcondes que era coletor de impostos. Ia uma turma com dois ou três carros na casa do eleitor, que naquele tempo era muito pouco. A gente chegava lá fazia festa, mandava fazer frango, bebia e comia. Fazia aquela bagunça e era muito engraçado.”

Enfim, a cidade havia eleito o segundo Prefeito Municpal e constituído a segunda Câmara Municipal sem muitos enfrentamentos, a não ser a oposição da UDN.

Izaura Varella

Sobretudo, Professora!

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