COMO FORAM AS ELEIÇÕES PARA PREFEITO MUNICIPAL E VEREADORES NAS DÉCADAS DE 50 E 60 EM CIANORTE – PARTE III

O mandato do segundo Prefeito Municipal de Cianorte estava se encerrando e novas eleições aconteceram em 6 de outubro de 1.963. A cidade já tinha constituído claras divisões políticas. A UDN fez coligação com o PDC e indicou Dr. Ramon Máximo Schulz, um dos primeiros médicos a chegar nesta terra abençoada, pelos idos de 1.954. Não havia o cargo de Vice Prefeito, este foi eleito pela Câmara Municipal, posteriormente e Jorge Moreira da Silva acabou sendo o vice-prefeito, o primeiro da história de Cianorte. Dr. Ramon buscou sua eleição derrotando seu adversário Hélio Manfrinato, filho de Primo Manfrinato, família também pioneira nesta cidade. O total de votantes foi de 4.905 eleitores e a UDN/PDC fez o seu prefeito com 2.948 votos válidos. A Câmara Municipal continuava com 9 cadeiras e foram ocupadas pelos vereadores eleitos: Mateus Biazzi, Joaquim Pagani, Kai Shizuo, Francisco Kanó, Carlos Resquetti, Manuel Nunes, Antonio Barão, Dr. Alfredo Gonevino Costa e Dr. Francisco de Assis Macedo Freire. Entre todos, apenas Mateus Biazzi ainda mora em Cianorte e ainda vivo! Dr. Ramon dizia que sua entrada na política foi ‘acidental’, pois, quem era político de fato era o seu sócio no Hospital recém-construído, Dr. Ovídio Luiz Franzoni.

Neste tempo, antecedia as eleições uma série de comícios, sendo que havia o comício inaugural da campanha e o comício de encerramento, ambos realizados em frente à Igreja Nossa Senhora de Fátima, no centro da cidade. Era uma grande festa popular, onde a população participava como um grande acontecimento. A cidade toda ia para frente da igreja e quem não saía de casa ainda poderia ouvir os discursos pelo alto falante ou pela Rádio Porta Voz, que também ficava aí na praça da igreja. Os pipoqueiros ganhavam seu dinheiro em abundância, as crianças iam junto com os adultos e corriam pelo meio das ruas, o sorveteiro levava o seu carrinho de sorvetes para abastecer de novo, pois, o consumo era muito. Alguns rojões inauguravam a festa e não se podia avaliar que a quantidade de gente no comício do Hélio Manfrinato ou no comício do Dr. Ramon era menor ou maior. O povo ia para se divertir mesmo, pois, era uma grande festa popular. Mas teve algumas maldades que eu prefiro deixar escrito e publicar somente quando morrer… Dr. Ramon não tinha muita prática de falar em público e teve que se preparar para estes eventos, trazendo para o palanque deputados federais e estaduais, além dos presidentes dos dois partidos que o apoiavam. Já o Hélio era ótimo orador e o seu tom de voz alto e bem articulado captava admiradores. Era um homem forte, alto, e eu diria até bonito e graças a Deus está vivo até hoje, morando na praia com a minha amiga de adolescência Cristina Gwadera, que ele conheceu cantando na Rádio Porta Voz. Que lembranças gostosas deste tempo que se foi.

Falando das eleições: preparava-se um palanque, montado de madeira para que os políticos aparecessem todos juntos, alegres, sorrindo e o comício começava com a apresentação de uma peça de teatro amador. Todos os interessados em se eleger falavam para aquela multidão de pessoas. Como a maioria dos eleitores moravam muito longe de Cianorte, os políticos mandavam buscar de carro em suas próprias casas para votar, dando alimentos, gasolina e também contribuições em dinheiro, uma prática não mais permitida nos dias de hoje.

Nem bem começou o mandato destes políticos e os militares ocuparam a Presidência da República, em 30 de março de 1.964. Apesar de tantos acontecimentos inesperados e insólitos este mandato ocorreu com bons resultados para a cidade.

E eu estava aqui, lecionando com muito orgulho de ser professora.

Izaura Varella

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