COMO É DIFÍCIL AMAR O PRÓXIMO…


Então, alguém se aproximou de mim e me perguntou: “O que sabe sobre o amor ao próximo?” E ele se levantou e ficou assim, esperando que eu dissesse e pensei: “O que sei sobre o amor?” Sei que sempre fui amada, não tanto por tantos, mas mesmo que por poucos, o amor tem um caminho escarpado e repleto de obstáculos, pois, amar dói! Amar também leva à contemplação, à reflexão: mereço ser amada mais que amo meu irmão? Amar, sobretudo, é doar-se, tirar de si próprio, para fazer feliz o outro e não buscar a felicidade para si próprio, eis, que amor é tão somente renúncia de si mesmo, em função do outro, seja em nome do amado ou seja em nome do próximo. Amar o próximo, sem julgá-lo é como subir numa montanha descalço e sem cordas. Lá no alto da montanha você aspira cansado, a brisa das alturas, porém, doou-se e daí vem a felicidade.

Com a felicidade vem o perdão. Amar e perdoar são atos extremamente difíceis. Sempre temos a nossa frente, o julgamento que fazemos sobre nós mesmos: “não quero sofrer, quero tudo o que puder alcançar, quero riqueza, quero o meu dinheiro resguardado tão somente para mim, para que eu possa usufruir sozinho!” ISTO É AMAR? Perguntei a ele que ainda estava por ali, esperando, depois da minha meditação, a minha resposta. Ele me disse: “acho que amor é igual a felicidade, ter tudo o que a gente deseja…” Não meu caro, respondi: “quem ama consegue tirar de si o que lhe faz falta e doar para alguém, sem alarde, e sem propagar o que fez.”

Amar o próximo é um sentimento tão delicado, porque sugere mentira, sugere engano, sugere fingimento, é um disfarce, quando digo “amo o meu irmão”, se com a declaração de amor vem junto algum julgamento… Quem ama de fato acolhe, o mais perdido dos homens e o ajuda dando-lhe a mão para encontrar seu próprio caminho, porque quem lhe procura, pedindo alguma coisa é porque realmente, sozinho, ele não é capaz de alcançar. E aí eu digo: “como é difícil ajudar alguém, tomando horas do seu próprio dia, renunciando a momentos de descanso e depois entregar-se plenamente, àquele que pediu ajuda”. E ainda dar aquilo que lhe faz falta, talvez seja a forma mais pura e honesta de amar o seu próximo. E amar o próximo que não faz parte de sua família, mas outro grupo de origem, sem julgar, sem perguntar por que; e se hoje o dinheiro que tenho não dá para comprar o meu pão e o dele, eu compro tão somente o dele… Por isto mesmo, que digo como é difícil amar o próximo, sem julgar, sem querer condená-lo e sem lhe jogar na alma as suas culpas.

E aí citando Gibran Khalil Gibran: O amor nada dá senão de si próprio e nada recebe senão de si próprio. O amor não possui e nem se deixa possuir. Pois o amor basta a si mesmo!”

Izaura Varella

Em 4 de novembro de 2018.

Compartilhe: